Candidato com nanismo tem recurso negado após nova reprovação em teste físico para delegado

Data:

Universidade
Créditos: h4ckermodify / iStock

O advogado Matheus Menezes, de 25 anos, foi considerado inapto nos exames biofísicos do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), mesmo após obter na Justiça o direito de refazer o teste com adaptações. O resultado definitivo foi divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), organizadora do certame, na última terça-feira (16), que também rejeitou o recurso administrativo apresentado pelo candidato.

Em entrevista, Matheus afirmou que já esperava a negativa da banca examinadora, destacando que esse tipo de resultado é comum em recursos administrativos relacionados a concursos públicos. Segundo ele, ainda não foi tomada uma decisão sobre eventuais medidas judiciais que poderão ser adotadas após a análise da fundamentação apresentada pela organizadora.

Atualmente, a permanência do candidato no concurso ocorre de forma provisória, uma vez que sua participação está condicionada a decisões judiciais ainda pendentes de definição.

O caso ganhou repercussão nacional após Matheus denunciar suposta discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF). Antes da realização da prova, ele havia solicitado adaptações compatíveis com sua condição de pessoa com deficiência, apresentando laudos médicos à banca organizadora. O pedido, contudo, não foi acolhido inicialmente.

Diante da reprovação, o candidato recorreu ao Poder Judiciário e obteve decisão favorável para a anulação do resultado. Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu que a banca examinadora não observou o entendimento firmado na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6.476, que assegura a candidatos com deficiência o direito a adaptações razoáveis em testes físicos de concursos públicos.

Após a decisão judicial, a FGV reaplicou o exame biofísico com as adaptações determinadas pela Justiça. Ainda assim, Matheus foi novamente considerado inapto, resultado que foi mantido após a análise do recurso administrativo.

Em nota, a banca organizadora informou que cumpriu integralmente a decisão judicial e adotou todas as adaptações razoáveis exigidas para a realização da nova avaliação.

O caso reacende o debate sobre inclusão, acessibilidade e critérios de avaliação física em concursos públicos destinados a carreiras policiais, especialmente quanto à compatibilidade entre as exigências do cargo e os direitos assegurados às pessoas com deficiência.

(Com informações do G1 por Yanca Cristina e Bárbara França)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo