Justiça de SC rejeita pedido de influenciadora para incluir filhos em publicidade nas redes sociais

Data:

Justiça de SC rejeita pedido de influenciadora para incluir filhos em publicidade nas redes sociais | Juristas
Crédito:golubovy / istock

A Justiça de Santa Catarina negou o pedido de uma influenciadora digital de Itajaí (SC) para obter autorização judicial que permitisse a participação contínua de seus dois filhos em conteúdos publicados nas redes sociais e em campanhas publicitárias.

A influenciadora, que possui dezenas de milhares de seguidores e mantém contratos relacionados à publicidade, permuta e divulgação de produtos destinados ao público infantil, buscava autorização para incluir os filhos de forma recorrente em publicações, ações promocionais, parcerias comerciais e atividades de monetização de conteúdo.

No processo, os pais sustentaram que a participação das crianças ocorreria de maneira espontânea e inserida no contexto familiar. Segundo a alegação apresentada à Justiça, o objetivo da autorização seria estabelecer parâmetros para garantir a proteção dos menores diante da exposição digital e da utilização econômica de sua imagem.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) exige análise individualizada dos pedidos envolvendo a participação de crianças e adolescentes em atividades dessa natureza, não sendo admitida autorização judicial genérica ou de caráter permanente.

A decisão também considerou os riscos associados à exposição habitual de crianças no ambiente digital. Entre os aspectos apontados estão a formação de uma pegada digital permanente, a possibilidade de reprodução das imagens por terceiros, o uso indevido do conteúdo e a exploração econômica da imagem infantil.

O entendimento judicial ressaltou ainda que a participação de crianças em conteúdos digitais não pode ser tratada apenas como uma extensão do exercício do poder familiar. Embora tenha sido reconhecida a boa-fé dos pais e a preocupação manifestada com a proteção dos filhos, a decisão destacou que o poder familiar não autoriza a disposição irrestrita dos direitos da personalidade de crianças para fins de exploração econômica na internet.

Dessa forma, a Justiça catarinense afastou a possibilidade de uma autorização ampla e contínua, reforçando a necessidade de que eventual participação de menores em atividades que envolvam exposição pública ou exploração comercial seja submetida à análise específica, considerando as circunstâncias de cada situação e o princípio da proteção integral.

(Com informações do G1 por Sofia Mayer)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STJ mantém condenação de Flordelis a 50 anos de prisão

A Sexta Turma do STJ manteve a condenação de Flordelis dos Santos de Souza a 50 anos de reclusão pela morte do pastor Anderson do Carmo. O colegiado também confirmou a anulação da absolvição de três corréus — Rayane dos Santos Oliveira, Marzy Teixeira da Silva e André Luiz de Oliveira — que deverão ser submetidos a novo julgamento pelo Tribunal do Júri.

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo