IA no contencioso de massa vem transformando a rotina da advocacia, especialmente nos escritórios que atuam com grande volume de processos. Um estudo citado em publicação do Migalhas aponta que, apesar do aumento da produtividade proporcionado pela tecnologia, o número de advogados que trabalham com contencioso de massa continuou crescendo nos últimos anos.
A inteligência artificial vem modificando a rotina da advocacia, especialmente nos escritórios que atuam com grande volume de processos. Um estudo citado em publicação do Migalhas aponta que, apesar do aumento da produtividade proporcionado pela tecnologia, o número de advogados que trabalham com contencioso de massa continuou crescendo nos últimos anos.
A análise reúne dados públicos do Judiciário brasileiro, entrevistas com advogados e referências internacionais para avaliar os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado jurídico e o crescimento da demanda processual.
Volume de processos continua crescendo
Segundo o estudo, o crescimento anual do volume de processos no Brasil, que vinha se mantendo entre 2% e 3% desde 2009, chegou a 8% em 2022. Entre grandes empresas, o avanço teria sido ainda maior, alcançando 16% ao ano nos processos cíveis.
O cenário aumenta a pressão sobre escritórios especializados em contencioso de massa, que precisam lidar com grande quantidade de processos e prazos simultâneos.
De acordo com os dados apresentados, aproximadamente 2% dos 1,5 milhão de advogados registrados no país atuam nesse segmento, mas esses profissionais são responsáveis por mais de 70% do volume total de processos judiciais envolvendo as maiores empresas brasileiras.
IA no contencioso de massa não reduz o número de advogados
Uma das principais conclusões do levantamento é que o avanço da inteligência artificial não teria provocado redução na quantidade de profissionais empregados no contencioso de massa.
Entre 2018 e 2025, o número de advogados nos escritórios desse segmento cresceu, em média, 3% ao ano. O estudo também aponta movimento semelhante em países como Estados Unidos, Reino Unido e França.
A explicação apresentada é que o crescimento da quantidade de processos continua gerando demanda por profissionais, mesmo com a automação de atividades repetitivas.
Tecnologia muda o trabalho dos advogados
No contencioso de massa, a utilização de ferramentas de inteligência artificial para tarefas operacionais pode permitir que os profissionais dediquem mais tempo à análise dos processos, definição de estratégias e tomada de decisões.
O estudo aponta que essa mudança também pode refletir na remuneração. Entre profissionais de escritórios de contencioso de massa que utilizam a tecnologia da Enter, a diferença média de remuneração indicada pelo levantamento foi de 19% entre estagiários, 14% entre advogados juniores e 43% entre advogados plenos, quando comparados a profissionais que não utilizam a ferramenta.
IA pode contribuir para uma atuação mais estratégica
A utilização da inteligência artificial também pode permitir que grandes volumes de documentos, informações e dados sejam analisados com maior rapidez.
Na avaliação apresentada no estudo, a tecnologia pode auxiliar os advogados na identificação de informações relevantes para cada processo, enquanto a decisão sobre a estratégia jurídica continua sob responsabilidade do profissional.
O objetivo seria reduzir o tempo dedicado a tarefas repetitivas e ampliar a capacidade dos advogados de trabalhar com análise, interpretação e julgamento.
Contencioso de massa enfrenta aumento da judicialização
O estudo também chama atenção para o impacto da quantidade de processos sobre empresas e consumidores.
Como exemplo, a publicação cita o setor aéreo, que enfrenta elevado número de ações judiciais. Segundo dados mencionados no levantamento, o Brasil representa cerca de 3% do tráfego aéreo mundial, mas concentra 98,5% dos processos judiciais contra companhias aéreas.
Nesse contexto, ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas para analisar informações técnicas e auxiliar os profissionais na elaboração de estratégias de defesa.
Advogado continua responsável pela decisão jurídica
Apesar do avanço da automação, a utilização da inteligência artificial não elimina a necessidade de análise humana.
A proposta apresentada no estudo é que a tecnologia funcione como ferramenta de apoio, permitindo que o advogado tenha acesso mais rápido a informações e consiga concentrar sua atuação nas decisões que exigem conhecimento jurídico, estratégia e julgamento.
Assim, a inteligência artificial tende a assumir parte das atividades repetitivas, enquanto o profissional permanece responsável pela interpretação dos dados e pela definição da estratégia processual.
(Com informações do Migalhas, por Mateus Costa Ribeiro.)
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