
Um empresário de 72 anos perdeu aproximadamente R$ 324 mil após ser vítima de um golpe que utilizou inteligência artificial para simular uma audiência judicial por videoconferência. Os criminosos criaram um ambiente aparentemente legítimo, com pessoas representando juiz, promotor e advogados, para convencer a vítima a realizar transferências bancárias.
A fraude começou quando um criminoso se passou pelo advogado do empresário, Elias José Salomão, e informou que ele havia vencido uma ação judicial. Para supostamente liberar os valores, a vítima precisaria participar de uma audiência.
Ao ingressar na chamada de vídeo, Elias encontrou uma cena que aparentava ser real. Os participantes simulavam autoridades e profissionais do sistema de Justiça, enquanto a vara criminal mencionada pelos golpistas realmente existe. Entretanto, as imagens exibidas durante a videoconferência haviam sido produzidas com o uso de inteligência artificial.
Durante a falsa audiência, os criminosos solicitaram pagamentos, levando o empresário a realizar três transferências bancárias que totalizaram cerca de R$ 324 mil.
O caso evidencia os riscos associados ao uso de ferramentas de inteligência artificial para produzir imagens e simular situações capazes de conferir credibilidade a fraudes. Uma pesquisa mencionada no relato aponta que mais da metade dos brasileiros não consegue identificar conteúdos produzidos ou modificados por essa tecnologia.
O advogado especialista em Direito Digital Danilo Pardi recomenda cautela diante de solicitações financeiras, mesmo quando parecem partir de pessoas conhecidas ou de instituições oficiais. Segundo ele, é importante manter a calma, verificar as informações por canais independentes e desconfiar de pedidos de pagamento apresentados como condição para a liberação de valores judiciais. O especialista ressalta que não existe audiência, seja em vara cível ou criminal, destinada à liberação de valores mediante esse tipo de procedimento.
Após o golpe, Elias decidiu processar a instituição bancária que autorizou as transferências. O empresário afirma que a experiência mudou sua forma de lidar com ligações telefônicas e que passou a evitar atender números desconhecidos.
O episódio reforça a importância de confirmar a identidade dos interlocutores e consultar diretamente o advogado ou o banco por canais oficiais antes de realizar transferências relacionadas a supostos processos judiciais.
(Com informações do Direito News)
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