CNJ aprova regras mais rigorosas de prevenção e combate ao assédio e à discriminação no Judiciário

Data:

Constituição Federal
Créditos: Andreas Rauh / Shutterstock.com

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou alterações na Resolução nº 351/2020, com vistas a ampliar a proteção de vítimas de assédio e discriminação no âmbito do Poder Judiciário. A deliberação foi realizada na primeira Sessão Virtual Extraordinária de 2026, concluída em 29 de janeiro, mediante julgamento do Ato Normativo nº 0000462-73.2026.2.00.0000.

A norma passa a englobar todas as condutas de assédio e discriminação no ambiente de trabalho do Judiciário, aplicando-se a servidores, estagiários, aprendizes, voluntários, terceirizados e prestadores de serviços, estendendo-se, ainda, às serventias extrajudiciais.

Garantias contra retaliação

A resolução reforça as garantias de proteção contra qualquer forma de retaliação, vedando expressamente atos de exoneração, remoção sem justificativa, alteração arbitrária de avaliações, restrição de atribuições ou impedimento de acesso a capacitação em razão de denúncias ou colaboração em investigações. Cabe à administração comprovar a legitimidade de atos que possam ser interpretados como retaliatórios.

Representações envolvendo colaboradores terceirizados poderão ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, Defensorias Públicas e demais órgãos competentes, inclusive após o desligamento do profissional.

Notícia de assédio e fluxo de acolhimento

A resolução conceitua a “notícia de assédio ou discriminação” como qualquer comunicação, inclusive informal, relativa a assédio moral, sexual ou discriminação. Institui-se um fluxo estruturado de acolhimento, no qual uma comissão especializada realizará o atendimento inicial à vítima e articulará com a comissão correspondente da outra instância, assegurando sigilo e proteção à pessoa noticiante.

Medidas de prevenção e conscientização

O normativo estabelece ainda ações voltadas à prevenção e à conscientização, incluindo a Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação, preferencialmente na primeira semana de maio, e o Encontro Nacional das Comissões de Prevenção e Enfrentamento do Assédio, a ser realizado anualmente no segundo semestre.

(Com informações do CNJ por Regina Bandeira)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF retoma julgamento sobre uso da metragem dos imóveis no cálculo do IPTU

O STF retomou a análise de recurso apresentado por Chapecó (SC) contra decisão que considerou inconstitucional a definição da alíquota do IPTU com base na área construída do imóvel. O julgamento pode repercutir sobre legislações municipais, critérios de tributação e pedidos de restituição, além de suscitar debates sobre segurança jurídica e eventual modulação dos efeitos da decisão.

Músico é condenado nos EUA por fraude em streaming com músicas geradas por IA

Um músico da Carolina do Norte foi condenado nos Estados Unidos a 18 meses de prisão por participar de uma fraude em plataformas de streaming utilizando músicas geradas por inteligência artificial e robôs para aumentar artificialmente as reproduções. A Justiça determinou ainda dois anos de liberdade supervisionada e o confisco de mais de US$ 8 milhões.

OpenAI interrompe lançamento de novo sistema de IA diante de preocupações com segurança

A OpenAI adiou o lançamento do modelo GPT-6.1 Astra após identificar que o sistema não havia atingido os padrões de segurança estabelecidos pela empresa. O modelo possui capacidade para executar tarefas de forma autônoma. A decisão ocorre em meio a incidentes envolvendo agentes de IA e ao aumento do debate sobre segurança, supervisão independente e regulamentação dessas tecnologias.

Justiça dos EUA rejeita ações contra Google por supostas práticas anticompetitivas com IA

A Justiça Federal dos Estados Unidos rejeitou ações movidas pela Chegg e pela Penske Media contra o Google. As empresas alegavam que recursos de inteligência artificial utilizados no mecanismo de busca estariam reduzindo o tráfego e as receitas de seus sites e configurando práticas anticompetitivas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo