Conselho Nacional de Justiça aprova nota técnica favorável a projeto de lei destinado ao combate ao “golpe do falso advogado”

Data:

A man in a black suit loosening his tie
Photo by Ben Rosett on Unsplash

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em sua 1ª Sessão Extraordinária de 2026, realizada em 3 de março, aprovou, por unanimidade, a Nota Técnica nº 0001199-76.2026.2.00.0000, manifestando-se favoravelmente ao Projeto de Lei nº 4.709/2025, que institui medidas voltadas à prevenção e repressão do denominado “golpe do falso advogado” e de outras fraudes praticadas no âmbito dos sistemas eletrônicos de tramitação processual.

A manifestação foi relatada pelo conselheiro Rodrigo Badaró e será encaminhada à Câmara dos Deputados para subsidiar a análise legislativa da proposição.

O projeto é de autoria do deputado federal Gilson Daniel (PODE/ES), tendo sido formulado pedido de análise técnica pelo deputado Sérgio Rodrigues (PODE/MG).

Objeto da proposição legislativa

O Projeto de Lei nº 4.709/2025 propõe alterações no Código Penal, no Marco Civil da Internet e na disciplina normativa relativa à certificação digital, além de instituir mecanismos destinados ao reforço da segurança da informação nos sistemas judiciais eletrônicos.

A iniciativa legislativa busca coibir fraudes em que agentes criminosos, valendo-se de dados verídicos extraídos de processos judiciais — como número da ação, identificação das partes e movimentações processuais — entram em contato com jurisdicionados, passando-se por advogados regularmente constituídos. Sob o pretexto de viabilizar o levantamento de valores supostamente disponíveis, exigem pagamentos antecipados, ocasionando prejuízos financeiros às vítimas.

Fundamentação institucional da manifestação do CNJ

Ao apreciar a matéria, o CNJ examinou, precipuamente:

  1. a existência de interesse institucional do Poder Judiciário na temática;
  2. a compatibilidade das medidas propostas com a autonomia administrativa e financeira dos tribunais, bem como com o princípio constitucional da publicidade dos atos processuais.

Concluiu-se que a proposição guarda pertinência direta com as atribuições constitucionais do CNJ, notadamente no que se refere ao controle da atuação administrativa do Judiciário e à definição de diretrizes relacionadas à governança e à segurança dos sistemas de processo eletrônico.

Medidas de segurança previstas

O texto legislativo estabelece que os tribunais deverão implementar mecanismos adicionais de segurança, dentre os quais:

  • autenticação multifator obrigatória para magistrados, membros do Ministério Público, defensores públicos, advogados e servidores;
  • comunicação automática aos usuários em caso de acessos suspeitos ou indevidos aos sistemas;
  • definição, pelo CNJ, de padrões mínimos de segurança da informação aplicáveis aos sistemas de processo eletrônico.

As diretrizes contemplam, ainda, regras relacionadas à proteção de dados pessoais, auditorias periódicas e mecanismos de alerta contra fraudes, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018).

Sugestões de aperfeiçoamento

Na Nota Técnica, o conselheiro Rodrigo Badaró propôs ajustes redacionais ao projeto, com o objetivo de:

  • explicitar que a autenticação multifator poderá compreender, além do certificado digital, mecanismos de identificação biométrica;
  • consignar que a atuação normativa do CNJ deverá observar os limites de sua competência constitucional e ocorrer em articulação com a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), assegurando plena observância à legislação de proteção de dados.

O relator ressaltou, ainda, que as medidas propostas não implicam restrição à publicidade dos atos processuais — princípio assegurado pela Constituição Federal —, mas sim o fortalecimento da segurança no acesso aos sistemas judiciais eletrônicos.

Por fim, consignou que a iniciativa legislativa converge com providências já implementadas pelo CNJ no âmbito da política de segurança cibernética do Poder Judiciário, muitas delas desenvolvidas em diálogo institucional com a Ordem dos Advogados do Brasil.

(Com informações do CNJ por Jessica Vasconcelos)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Conselheiros do CNJ: conheça a composição e a trajetória dos integrantes do Conselho Nacional de Justiça

O Conselho Nacional de Justiça ocupa posição estratégica no sistema institucional brasileiro. Criado pela Emenda Constitucional nº 45/2004 e instalado em 2005, o CNJ exerce funções de planejamento, controle administrativo, fiscalização financeira e supervisão disciplinar do Poder Judiciário.

Quem são os ministros do Tribunal Superior do Trabalho – TST? Conheça a formação e a trajetória de cada integrante da Corte

O Tribunal Superior do Trabalho é a instância máxima da Justiça do Trabalho brasileira. Cabe à Corte uniformizar a interpretação da legislação trabalhista, julgar recursos provenientes dos Tribunais Regionais do Trabalho e estabelecer precedentes que influenciam as relações profissionais em todo o país.

Quem são os ministros do Supremo Tribunal Federal? Conheça a formação e a trajetória profissional de cada integrante da Corte

O Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro e o guardião da Constituição Federal. Compete-lhe exercer, precipuamente, o controle de constitucionalidade das leis e atos normativos, além de julgar ações e recursos de elevada relevância institucional, política, econômica e social.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo