Aprovado teste genético no SUS para mulheres com alto risco de câncer

Data:

DNA - LGPD
Créditos: Natali_Mis / iStock

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), o Projeto de Lei 5.181/2023, que garante o acesso a testes genéticos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama, ovário ou colorretal. A proposta, de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

O parecer favorável foi apresentado pela senadora Dra. Eudócia (PL-AL), que destacou a importância da medida para a prevenção e detecção precoce de tipos de câncer associados a mutações genéticas hereditárias. A proposta altera a Lei nº 11.664/2008, que já estabelece diretrizes para a prevenção, diagnóstico e tratamento de cânceres no SUS, incluindo os de mama, colo do útero e colorretal.

Prevenção e economia de recursos

Ao defender o projeto, Dra. Eudócia ressaltou que o teste genético é essencial especialmente para mulheres com histórico familiar da doença ou que pertencem a grupos de risco elevado. Ela destacou que estudos científicos comprovam a eficácia, segurança e custo-benefício desses exames, que permitem decisões mais assertivas quanto à prevenção e ao tratamento.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 1 em cada 10 casos de câncer de mama e 1 em cada 4 casos de câncer de ovário têm origem genética hereditária. Estima-se que, anualmente, o Brasil registre cerca de 66,2 mil novos casos de câncer de mama e 6,6 mil de câncer de ovário.

A senadora alertou que, embora a utilização desses testes venha crescendo, ainda há barreiras no acesso por meio do SUS, o que acaba provocando judicializações e custos adicionais ao sistema público. “O teste genético salva vidas e economiza recursos públicos. É fundamental promover a conscientização sobre os riscos genéticos e a importância do diagnóstico precoce”, afirmou.

Impacto no tratamento

Além do papel na prevenção, os testes genéticos são cruciais para o tratamento personalizado de pacientes já diagnosticadas com câncer. Segundo Dra. Eudócia, há medicamentos específicos para mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que podem aumentar as chances de sucesso do tratamento. O exame também auxilia na definição da abordagem cirúrgica mais adequada, como nos casos em que há recomendação para retirada preventiva da mama saudável, devido ao alto risco de recorrência.

Complementariedade com outras medidas

Durante a votação, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou que o Senado já aprovou outro projeto relevante para o enfrentamento do câncer no sistema público (PL 3.021/2024), que antecipa o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 30 anos consideradas de alto risco. Para Damares, as duas propostas são complementares e fortalecem a política pública de combate ao câncer no SUS.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo