Bloqueio indevido de conta no Facebook gera dano moral presumido, decide juíza

Data:

facebook
Créditos: David Tran | iStock

O bloqueio de conta em rede social sem a indicação clara do motivo e a manutenção da restrição mesmo após o cumprimento das exigências da plataforma configuram falha na prestação do serviço e geram dano moral presumido. Esse foi o entendimento da juíza Ivana Carvalho Silva Fernandes, da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

A magistrada negou provimento ao recurso do Facebook e manteve a sentença que condenou a empresa a indenizar em R$ 10 mil uma cantora de axé que teve sua conta bloqueada de forma unilateral.

Na decisão, a juíza destacou que a indenização é devida em razão da má prestação do serviço, ressaltando que, em situações como essa, a comprovação do dano moral independe de prova objetiva do abalo psicológico, por se tratar de prejuízo facilmente presumível.

Relatora do caso, Ivana Fernandes decidiu de forma monocrática, por se tratar de matéria com entendimento já consolidado no âmbito das Turmas Recursais, conforme autorizam o regimento interno do colegiado e o artigo 932 do Código de Processo Civil.

Segundo a julgadora, ficou comprovado nos autos que a cantora teve sua conta bloqueada sem justificativa objetiva, sendo impedida de acessá-la, e que tentou, sem sucesso, resolver o problema pela via administrativa. Para a relatora, não houve controvérsia quanto à inativação da conta nem quanto à falha na prestação dos serviços pela plataforma.

Além da indenização, a artista obteve tutela de urgência para a imediata reativação do perfil, medida posteriormente confirmada na sentença. Ela argumentou que utiliza a rede social como ferramenta de trabalho, tanto para divulgação de shows quanto para cumprimento de contratos publicitários.

Na ação, a cantora informou ter 37 anos de carreira e mais de 249 mil seguidores no Facebook. Após o bloqueio, afirmou ter seguido todos os procedimentos indicados pela plataforma, como redefinição de senha, envio de documentos pessoais e gravação de vídeo para identificação facial, sem que a conta fosse restabelecida.

Em sua defesa, o Facebook alegou que a usuária teria descumprido regras da plataforma, mas não especificou quais normas teriam sido violadas nem de que forma. Também sustentou a inexistência de falha no serviço e de dano moral, argumentos que foram rejeitados pelo colegiado.

Para a juíza, o bloqueio sem justificativa plausível, mesmo após o atendimento às exigências de segurança impostas, caracteriza evidente falha na prestação do serviço, nos termos do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, sendo suficiente para ensejar a reparação por dano moral.

Processo nº 0124323-88.2025.8.05.0001

Leia aqui a decisão.

(Com informações do ConJur por Eduardo Velozo Fuccia)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Revista Juristas amplia sua presença no cenário jurídico nacional e valoriza a produção intelectual brasileira

A Revista Juristas vem ampliando sua presença no cenário jurídico brasileiro ao promover a divulgação da produção intelectual de profissionais que contribuem para o desenvolvimento do Direito, o fortalecimento das instituições e o aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Com 11 edições publicadas até outubro de 2026, a revista reúne entrevistas, artigos e reflexões sobre temas que influenciam diretamente a sociedade brasileira.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo