Dano moral por violação de marca é presumido, decide TJ-SP

Data:

Condenação de franquia da Subway por violação à lei do silêncio é reduzida
Créditos: zhu difeng / Shutterstock.com

O dano moral decorrente da violação de marca é presumido, segundo entendimento da 1ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo. Com base nesse posicionamento, o colegiado determinou que uma boate indenize um produtor de eventos pelo uso indevido do nome de uma festa registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Os desembargadores reconheceram que o produtor detém a titularidade da marca, uma vez que possui registro ativo no INPI, afastando a alegação da casa noturna de prescrição do direito. Embora a festa tenha alterado sua denominação em 2019, após o rompimento da relação profissional entre as partes, o novo nome adotado correspondia à tradução literal da designação original, o que, para o colegiado, caracterizou continuidade da violação à propriedade intelectual.

Conforme narrado nos autos, a festa foi criada a partir de uma parceria entre o proprietário da boate, o autor da ação e um terceiro produtor. O autor sustentou que atuava como DJ e promotor de eventos, participando ativamente da concepção do projeto. Após o fim da parceria, contudo, a boate continuou a utilizar o nome da festa até 2021, quando passou a empregar a tradução em português. Em primeiro grau, o produtor obteve decisão favorável.

Ambas as partes recorreram. A boate alegou que a atuação do autor se limitava à função de DJ; que o nome do evento seria genérico e amplamente utilizado no meio musical; que a criação da festa não seria atribuível ao autor; e que ele jamais reivindicou direitos sobre a marca ao longo dos 18 anos em que o evento permaneceu ativo. Já o produtor reiterou que a prova dos autos demonstrava sua autoria na criação da festa e sustentou que, mesmo após a mudança de nome, a conduta da boate configurava “vinculação parasitária”.

Ao analisar o caso, a 1ª Câmara de Direito Empresarial manteve a sentença. Em seu voto, o relator, desembargador Tasso Duarte de Melo, destacou que a interpretação doutrinária e jurisprudencial do artigo aplicável aponta que a reparação por violação à propriedade industrial ou por concorrência desleal independe da comprovação concreta do dano ou de sua extensão. “Comprovada a concorrência desleal, presumem-se os danos”, afirmou.

O colegiado também ressaltou que, diante do registro ativo da marca no INPI e do encerramento da relação comercial entre as partes em 2019, o uso continuado do nome pela boate caracterizou concorrência desleal. Assim, foi fixada indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil.

A decisão foi unânime.

Clique aqui para ler o acórdão.

Processo nº 1000146-46.2022.8.26.0004

(Com informações do ConJur por Martina Colafemina)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo