Defensores do homeschooling cobram regulamentação no Senado e relatam punições a famílias

Data:

Defensores do homeschooling cobram regulamentação no Senado e relatam punições a famílias | Juristas

Representantes de associações, advogados e famílias adeptas da educação domiciliar defenderam, em audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, a regulamentação do homeschooling no Brasil. Os participantes argumentaram que os pais devem ter o direito de escolher o modelo educacional dos filhos e alertaram para a existência de processos judiciais e sanções aplicadas a famílias que adotam a modalidade.

O debate foi marcado por críticas à falta de uma legislação federal específica sobre o tema. Segundo os defensores do ensino domiciliar, a ausência de regulamentação tem levado famílias a responderem a ações judiciais com base na obrigatoriedade de matrícula escolar prevista na legislação brasileira.

Durante a audiência, o senador Eduardo Girão citou o caso de um casal condenado por abandono intelectual no município de Jales (SP), decisão que ainda pode ser objeto de recurso. O parlamentar afirmou que há interpretações divergentes sobre a legalidade da prática e criticou a atuação de parte dos agentes públicos em relação às famílias que optam pelo ensino domiciliar.

A advogada Isabelle Monteiro, representante da família condenada e integrante da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), relatou outros casos de sanções aplicadas a famílias que adotam o homeschooling. Segundo ela, a entidade presta assistência jurídica a milhares de famílias que utilizam esse modelo educacional em todo o país.

Os participantes defenderam a aprovação do Projeto de Lei nº 1.338/2022, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado. A proposta estabelece critérios para a educação domiciliar, incluindo vínculo com instituição de ensino, apresentação de plano pedagógico, avaliações periódicas e acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes.

A senadora Damares Alves afirmou que o texto prevê mecanismos de fiscalização e acompanhamento, com o objetivo de garantir que as crianças recebam efetivamente a formação educacional exigida pela legislação.

Os defensores da modalidade também destacaram que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2018, que o homeschooling não é incompatível com a Constituição, mas depende de regulamentação por lei federal para ser implementado. Com base nesse entendimento, legislações estaduais, distritais ou municipais sobre o tema têm sido consideradas inconstitucionais por invadirem competência exclusiva da União para legislar sobre educação.

Além dos aspectos legais, representantes das associações citaram tratados internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto de São José da Costa Rica, para sustentar o direito dos pais de participar ativamente da definição do modelo educacional de seus filhos.

A audiência reforçou a pressão pela votação do projeto que regulamenta a educação domiciliar, tema que continua gerando debates jurídicos, educacionais e sociais no país.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo