Execução fiscal: Justiça nega anulação de multa por etiqueta de pescado diferente do conteúdo

Data:

Multa por abandono de causa
Créditos: Rmcarvalho / iStock

A Justiça Federal rejeitou o pedido de uma pesqueira em Itajaí (SC) que solicitou a anulação de uma multa devido à embalagem de pescado com informações divergentes da etiqueta. A fiscalização constatou que o rótulo indicava a espécie “xerelete”, mas o conteúdo era “palombeta”, o que configurou uma infração aos regulamentos de inspeção industrial e sanitária. A decisão foi proferida pela 8ª Unidade de Apoio à Execução Fiscal.

“A infração foi constatada por fiscal médico veterinário, [que] detém qualificação para a análise das espécies encontradas na embalagem e goza de fé pública [para a] veracidade de suas declarações”, observou o juiz Marcel Citro de Azevedo. “Ademais, o auto está acompanhado de registro fotográfico em princípio suficiente à demonstração da troca da nominação das espécies do produto final”.

Empresa que vendia peixes com excesso de água é condenada por danos morais em Santa Catarina
Créditos: Chai2523 / Depositphotos

A autuação ocorreu em fevereiro de 2016, resultando em uma multa de R$ 12,5 mil. No entanto, a ação para contestar a cobrança foi ingressada em outubro de 2022. A parte autora argumentou que as duas espécies teriam o mesmo valor comercial, alegando ser um mero equívoco e afirmando que não teria causado prejuízo ao consumidor.

“Não se afigura plausível adotar, a partir de meras alegações da autora, a tese que a infração capitulada pela fiscalização do MAPA se reduziria a mero erro de etiquetagem, sem qualquer potencial lesivo ao consumidor, que poderia ter sido corrigido com uma simples reetiquetagem das embalagens”, afirmou Azevedo.

Mercado de Peixes
Créditos: blinow61 / Depositphotos

O magistrado ao analisar o processo (5012084-34.2022.4.04.7208) também levou em consideração que a empresa já havia sido autuada anteriormente por violar as regulamentações. Na sentença proferida em 24/8, Azevedo argumentou que mesmo se admitisse, apenas como hipótese, a falta de intenção maliciosa, a multa deveria ser aplicada, uma vez que a autora era reincidente.

Posteriormente, a empresa apresentou embargos de declaração, alegando que a decisão não poderia ser tomada sem dar-lhes a oportunidade de comprovar seus argumentos, especialmente no que diz respeito à equivalência entre as espécies de pescado.

Complexo Hidrelétrico
Créditos: Africa Studio/Shutterstock.com

“A prova documental faltante mencionada na sentença (de que as modalidades de pescado ‘xerelete’ e ‘palombeta’ tratam-se mesmo de espécies muito assemelhadas, e de valor comercial idêntico) poderia ter sido produzida já na inicial, como é de praxe, pois tais informações já eram existentes ao tempo da distribuição [do processo], lembrou o juiz, em decisão na segunda-feira (16).

“E, se a prova documental a referendar tal argumento não acompanhou os documentos que instruíram a peça vestibular, não há cogitar-se de cerceamento pelo julgamento antecipado do mérito”, concluiu Azevedo.

Com informações do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Pesquisador usa inteligência artificial para criar malware e tentar extorquir empresas

Relatório da CrowdStrike identificou o malware PhantomRaven, supostamente desenvolvido com auxílio de inteligência artificial e distribuído por meio de pacotes maliciosos no npm. O código teria sido utilizado para obter credenciais de desenvolvedores e, posteriormente, pressionar empresas com alegações de vulnerabilidades em seus sistemas. Em resposta à ameaça, o npm adotou medidas para restringir a execução automática de comandos durante instalações.

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo