Distrito Federal é condenado a indenizar mãe e filha por falhas no atendimento durante parto

Data:

Plano de Saúde deve indenizar paciente que teve parto pelo SUS
Créditos: In Green / Shutterstock.com

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação do Distrito Federal ao pagamento de indenização por danos morais e pensão vitalícia a uma mãe e sua filha, em razão de falhas na assistência médica durante o parto no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). A 5ª Turma Cível concluiu que houve omissão no monitoramento fetal, o que resultou em sequelas neurológicas graves na criança.

De acordo com o processo, a gestante deu entrada no HMIB em 29 de outubro de 2022, com 40 semanas e quatro dias de gestação, relatando dores e sinais de trabalho de parto. Apesar disso, recebeu alta hospitalar sem avaliação adequada. No dia seguinte, retornou ao hospital e, após complicações, foi encaminhada à sala de parto na madrugada de 31 de outubro. A criança nasceu com asfixia grave, apresentando convulsões, desnutrição, insuficiência respiratória e paralisia cerebral espástica, permanecendo internada por seis meses.

A 7ª Vara da Fazenda Pública do DF reconheceu a negligência médica e condenou o Distrito Federal a pagar R$ 70 mil em danos morais — sendo R$ 40 mil para a filha e R$ 30 mil para a mãe — além de pensão vitalícia à criança.

Ambas as partes recorreram. O Distrito Federal alegou inexistência de erro médico e ausência de provas de negligência, sustentando que as sequelas poderiam ter outras causas. Já as autoras pediram o aumento da indenização.

Ao julgar o recurso, a 5ª Turma Cível destacou uma Nota Técnica do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) que comprovou monitoramento fetal irregular, com intervalos superiores aos recomendados, o que teria retardado o diagnóstico de sofrimento fetal e contribuído para as sequelas.

Segundo o colegiado, ficaram demonstrados a falha na prestação do serviço público de saúde, o ato ilícito e o nexo de causalidade entre a conduta dos profissionais e os danos sofridos.

Considerando a gravidade das sequelas, que comprometem a autonomia e a cognição da criança, e o impacto direto na vida da mãe, que passou a se dedicar integralmente aos cuidados da filha, a Turma decidiu elevar os valores da indenização.

O Distrito Federal foi condenado a pagar R$ 100 mil por danos morais à criança e R$ 50 mil à mãe, além de pensão vitalícia equivalente a três salários mínimos mensais para a filha.

A decisão foi unânime.
Processo: 0709449-12.2023.8.07.0018 (PJe2)

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Amazon reedita episódio de “Tremembé” após ações por suposto uso indevido de imagem

A Amazon reeditou o quinto episódio da série Tremembé após pelo menos três pessoas ajuizarem ações contra a empresa por suposto uso não autorizado de imagem. Os autores pedem indenizações de R$ 150 mil e alegam danos morais decorrentes da exposição. Os processos tramitam na Justiça de São Paulo e ainda não tiveram decisão. O caso envolve questões relacionadas ao direito de imagem e à responsabilidade civil.

Egito condena apresentadora de TV e outros 11 réus à pena de morte por tráfico de drogas

A Justiça do Egito condenou a apresentadora Sarah Khalifa e outros 11 réus à pena de morte por suposta participação em um grupo organizado voltado à fabricação e ao tráfico de drogas. O processo também envolve acusações de posse e porte ilegal de armas e munições. A decisão foi proferida após consulta ao grão-mufti e ainda pode ser contestada por meio de recursos.

MPF recomenda revisão das regras sobre uso religioso, espiritual e terapêutico da ayahuasca

O Ministério Público Federal recomendou ao Conad e à Anvisa a revisão das regras relacionadas à ayahuasca no Brasil, especialmente para os usos religioso, espiritual e terapêutico. A proposta prevê grupos de trabalho, consulta a povos indígenas e comunidades tradicionais, revisão do enquadramento jurídico da DMT e criação de parâmetros para produção, circulação e utilização da bebida. Os órgãos terão 30 dias para informar se irão acatar as recomendações.

Morre aos 80 anos Robert Alexy, referência mundial na Teoria do Direito e dos princípios

Morreu aos 80 anos o jurista e filósofo alemão Robert Alexy, um dos principais nomes contemporâneos da Filosofia e da Teoria do Direito. Professor da Universidade de Kiel, tornou-se mundialmente conhecido por seus estudos sobre princípios, direitos fundamentais, proporcionalidade e argumentação jurídica. Sua obra exerceu forte influência sobre a doutrina e a jurisprudência brasileiras, especialmente no Direito Constitucional e em decisões do STF.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo