Relator do STF considera inconstitucionais incentivos fiscais a agrotóxicos por violarem proteção ambiental

Data:

Relator do STF considera inconstitucionais incentivos fiscais a agrotóxicos por violarem proteção ambiental | Juristas
Créditos: | iStock

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (5) o julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 5553 e 7755, que discutem benefícios fiscais concedidos à comercialização de agrotóxicos. Após os votos do ministro Edson Fachin, relator do caso, e do ministro André Mendonça, o julgamento foi suspenso.

As ações, propostas pelo PSOL e pelo Partido Verde (PV), questionam o Convênio 100/1997 do Confaz, que reduz em 60% a base de cálculo do ICMS para agrotóxicos, e dispositivos que fixam alíquota zero de IPI para esses produtos. O PV também contesta trecho da Emenda Constitucional 132/2023, que permite tratamento tributário diferenciado a insumos agropecuários.

Sistema tributário e meio ambiente

Em seu voto, o relator Edson Fachin destacou que o julgamento não trata da proibição do uso de agrotóxicos, mas da validade constitucional dos incentivos fiscais concedidos a produtos potencialmente nocivos ao meio ambiente e à saúde.

Segundo o ministro, a Constituição exige que o sistema tributário seja ambientalmente equilibrado, aplicando maior tributação a atividades e produtos poluentes. Fachin defendeu que a tributação ambientalmente diferenciada pode estimular a inovação e reduzir riscos à saúde humana e ao ecossistema.

Com esse entendimento, o relator votou pela inconstitucionalidade de trechos do Convênio Confaz 100/1997, do Decreto 11.158/2022 (que zera o IPI de alguns agrotóxicos) e do artigo 9º, parágrafo 1º, inciso XI, da EC 132/2023, sem efeito retroativo.

Divergência parcial

O ministro André Mendonça abriu divergência parcial, defendendo a constitucionalidade dos incentivos fiscais. Para ele, a Emenda Constitucional 132 expressamente autorizou o regime tributário diferenciado para insumos agropecuários, o que legitima a política fiscal voltada ao setor.

Mendonça ponderou que, embora a toxicidade dos agrotóxicos seja reconhecida, é necessário equilibrar o incentivo fiscal com outros valores constitucionais, como o direito à saúde e à produção agrícola. Ele sugeriu que o Estado mantenha benefícios apenas para produtos mais eficientes e menos tóxicos, excluindo os de maior potencial de dano.

(Com informações do STF)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça das Ilhas Cayman determina liquidação de holding ligada a Daniel Vorcaro

A Suprema Corte das Ilhas Cayman determinou a liquidação definitiva da Titan Capital, holding ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Três liquidantes da Grant Thornton Specialist Services foram nomeados para conduzir o processo. Um edital publicado na sexta-feira (7) convocou credores e demais interessados a apresentar documentos que comprovem eventuais créditos ou direitos contra a empresa.

Justiça do Rio determina cumprimento de sentença que suspende direitos políticos de Anthony Garotinho

O juiz Ricardo Cyfer, do TJRJ, determinou o cumprimento de uma condenação de 2018 que prevê a perda dos direitos políticos de Anthony Garotinho por oito anos. Após o trânsito em julgado, foram expedidos ofícios ao TRE-RJ e ao TSE. A análise sobre eventual inelegibilidade do ex-governador caberá à Justiça Eleitoral.

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo