Especialistas defendem atualização da Lei Antiterrorismo para combater o crime organizado

Data:

Especialistas defendem atualização da Lei Antiterrorismo para combater o crime organizado | Juristas
Autor: simbiothy
Força policial para manter a ordem na área durante o comício

Em audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, especialistas defenderam a atualização da Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016) como medida essencial para o enfrentamento do crime organizado no país. O debate foi solicitado pelo deputado Coronel Meira (PL-PE).

Segundo os participantes, a legislação atual é insuficiente para enquadrar ações de facções criminosas que atuam com características semelhantes às de grupos terroristas.

“A lei sobre terrorismo é fundamentada na intolerância e no preconceito como elemento subjetivo, e isto é insuficiente para fazer frente aos atos que estamos vendo”, afirmou o procurador de Justiça Artur Pinto de Lemos Júnior, do Ministério Público de São Paulo.

O deputado Coronel Meira destacou que “tratar terroristas como criminosos comuns é fechar os olhos para o avanço de organizações que aliciam jovens, dominam territórios, corrompem instituições e exportam violência”.

Avanço das facções e lacunas legais

Os especialistas foram unânimes em reconhecer a gravidade do avanço das facções criminosas, que já operam com poder bélico e controle territorial, desafiando a soberania do Estado.

A principal crítica à legislação vigente diz respeito à exigência de motivação ideológica, religiosa ou xenofóbica para que um ato seja enquadrado como terrorismo. De acordo com o juiz e professor Carlos Eduardo Ribeiro de Lemos, do Espírito Santo, essa limitação acaba protegendo facções, cujas motivações são econômicas e de domínio territorial.

“Na Lei Antiterrorismo foram colocadas essas motivações específicas. Por consequência, isso não blindou apenas os movimentos sociais — blindou também as facções, porque em tudo o que elas fazem não há nenhuma dessas motivações”, criticou o magistrado.

Propostas de combate e asfixia financeira

Os debatedores defenderam mecanismos legais para proteger agentes de segurança pública e estratégias de asfixia financeira das facções, com foco em práticas ilícitas que sustentam o crime organizado, como pirataria, contrabando e roubo de cargas.

“Qualquer ação de segurança pública que não esteja calcada em perseguir o dinheiro, prender e manter o faccionado preso, recuperar e manter os territórios e apreender armas vai ser pouco efetiva”, alertou o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel.

(Com informações da Agência Câmara de Notícias)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo