Facebook é condenado por não bloquear conta usada em golpes com identidade de advogado

Data:

Rede Social Facebook
Créditos: Wachiwit / iStock

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o Facebook a bloquear uma conta do WhatsApp utilizada para aplicação de golpes e a indenizar um advogado que teve seu nome, imagem e identidade profissional utilizados indevidamente por criminosos. A decisão reconheceu que a plataforma falhou na prestação do serviço ao permanecer inerte mesmo após receber diversas denúncias sobre a fraude.

O caso envolve o advogado Yuri Soares de Carvalho Figueiredo, que identificou a utilização irregular de sua identidade em uma conta usada para enganar clientes e terceiros. De acordo com os autos, a vítima realizou ao menos dez solicitações à plataforma requerendo o bloqueio imediato do perfil fraudulento, mas as medidas não foram adotadas.

Na ação, o Facebook sustentou que não seria responsável direto pelo aplicativo WhatsApp, alegando ainda que a fraude foi praticada exclusivamente por terceiros e que a criptografia ponta a ponta dificultaria a adoção de providências técnicas para o bloqueio da conta.

Ao analisar o caso, a juíza Maria Fernanda de Mattos Calil, do 27º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, rejeitou os argumentos da empresa. A magistrada destacou que o Facebook integra o mesmo grupo econômico responsável pelo WhatsApp e que havia conhecimento inequívoco da utilização indevida da identidade do autor, comprovado pelas reiteradas denúncias apresentadas.

Segundo a decisão, embora os golpes tenham sido praticados por terceiros, a responsabilidade da plataforma decorre da ausência de providências eficazes após a ciência da fraude. Para a juíza, a omissão permitiu a continuidade da prática ilícita, comprometendo a honra, a credibilidade profissional e a imagem do advogado perante seus clientes.

Com esse entendimento, o juízo determinou o bloqueio imediato da conta utilizada para os golpes, sob pena de multa diária de R$ 100 em caso de descumprimento. Além disso, a empresa foi condenada ao pagamento de R$ 7.100 a título de indenização por danos morais.

A decisão reforça o entendimento de que plataformas digitais podem ser responsabilizadas quando, mesmo após serem devidamente notificadas sobre atividades ilícitas, deixam de adotar medidas capazes de impedir a continuidade dos danos causados aos usuários.

Clique aqui para ler a sentença.

Processo 0817139-16.2026.8.19.0001

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-PI apresenta novas ferramentas de Inteligência Artificial para modernizar serviços do Judiciário

O Tribunal de Justiça do Piauí apresentou novas ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo Opala Lab para auxiliar magistrados e servidores, otimizar processos e modernizar os serviços judiciais. As soluções incluem sistemas de transcrição de audiências, análise processual e organização de bases de conhecimento, com foco em segurança, autonomia tecnológica e eficiência.

TJ-SP analisará pedido para excluir filiação materna do registro civil

O TJ-SP deverá analisar recurso de uma mulher que busca excluir a filiação materna de sua certidão de nascimento após relatar ter sido vítima de graves abusos durante a infância. Embora a sentença de primeiro grau tenha reconhecido os traumas e autorizado a retirada dos sobrenomes maternos, o pedido de desconstituição da maternidade foi negado sob o fundamento de que a filiação biológica deve permanecer registrada.

TJ mantém condenação de Marcelo Crivella por uso não autorizado de imagem em campanha eleitoral

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do senador Marcelo Crivella ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um estudante que teve sua imagem e seu depoimento utilizados, sem autorização, em propaganda eleitoral. A Corte rejeitou novos recursos da defesa e preservou a sentença que também envolve o Partido Republicanos.

Licenciamento de novos data centers no Ceará reacende debate sobre impactos ambientais e consumo de energia

Dois novos projetos de data centers em Caucaia (CE) estão em fase de licenciamento ambiental e poderão consumir energia equivalente à utilizada por 4,5 milhões de residências, volume superior ao total de domicílios do estado. A dimensão dos empreendimentos intensificou o debate sobre os impactos ambientais, o consumo de água, o licenciamento simplificado e a necessidade de consulta às comunidades potencialmente afetadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo