Influenciador é condenado por promover “caça ao tesouro” sem autorização em praça de Belo Horizonte

Data:

Daltonismo é causa de eliminação em concurso para praça da Marinha
Créditos: Billion Photos / Shutterstock.com

O influenciador digital que organizou uma “caça ao tesouro” na Praça do Papa, em Belo Horizonte (MG), foi condenado a pagar R$ 37 mil por danos materiais e R$ 100 mil por danos morais coletivos. O evento, realizado em maio de 2024, gerou aglomeração e danos ao patrimônio público.

A decisão é do juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal da capital mineira. O magistrado determinou que o valor dos danos morais coletivos seja destinado ao Fundo Municipal de Cultura, voltado à preservação e recuperação do patrimônio cultural e ambiental de Belo Horizonte.

De acordo com o processo, o influenciador — que possui mais de 250 mil seguidores — divulgou nas redes sociais que entregaria uma motocicleta à pessoa que encontrasse uma chave escondida na Praça do Papa. O evento, entretanto, ocorreu sem qualquer autorização dos órgãos públicos e atraiu uma multidão, resultando em depredação de estruturas e danos ao paisagismo local.

Proibição de novos eventos

A sentença também proíbe o influenciador de organizar ou promover eventos, aglomerações ou atividades em espaços públicos de Belo Horizonte sem autorização prévia. O descumprimento da ordem acarretará multa de R$ 30 mil por ocorrência.

O juiz ressaltou que o réu agiu com “flagrante desconsideração pelo bem jurídico tutelado”, ao realizar um evento de caráter comercial e autopromocional em um bem tombado, sem qualquer planejamento de segurança.

“O réu criou o risco, incitou comportamento desordenado da multidão e deve suportar as consequências econômicas da degradação, em consonância com o princípio do poluidor-pagador”, afirmou o magistrado.

Bicalho também destacou o comportamento do influenciador após o episódio, classificando-o como “altamente reprovável”:

“Além do ato irresponsável que desencadeou o vandalismo, sua manifestação posterior nas redes sociais, zombando da decisão judicial e ameaçando repetir o evento, demonstra desprezo pelas autoridades e pelo patrimônio público.”

Ação civil pública

A Prefeitura de Belo Horizonte foi a autora da ação civil pública, buscando reparação pelos prejuízos causados. O relatório técnico apontou danos ao letreiro “Belo Horizonte”, às caixas elétricas, grades de proteção, piso cerâmico, plantas ornamentais e até à destruição de ninhos de João-de-Barro.

Processo: 5118247-03.2024.8.13.0024

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo