Juiz afasta capitalização mensal de juros em contrato imobiliário e reduz dívida em R$ 390 mil

Data:

Financiamento Imobiliário
Créditos: SvetaZi / iStock

A 31ª Vara Cível de Goiânia proferiu sentença favorável a um comprador de imóvel e determinou a eliminação de encargos financeiros considerados abusivos, reduzindo o saldo devedor em mais de R$ 390 mil. A decisão, assinada pelo juiz José Augusto de Melo Silva, decorre de ação revisional de cláusulas contratuais.

O autor adquiriu o imóvel em 2008 por aproximadamente R$ 150 mil, mas a dívida ultrapassou R$ 600 mil em razão da capitalização mensal de juros prevista no contrato. Na ação, pleiteou a suspensão das cobranças excessivas e a preservação da posse do bem.

Capitalização mensal afastada

A incorporadora sustentou a prescrição da pretensão revisional e negou a prática de capitalização mensal, afirmando ter aplicado apenas atualização anual pelo IGP-M, acrescida de juros de 1% ao mês, em conformidade com a Lei nº 9.069/95.

Os argumentos foram rejeitados. O magistrado destacou que contratos de promessa de compra e venda firmados por construtoras e incorporadoras não se submetem ao regime jurídico das instituições financeiras, sendo-lhes vedada a capitalização de juros em periodicidade inferior à anual.

Na sentença, o juiz citou precedentes do Superior Tribunal de Justiça que consolidam a impossibilidade de aplicação da capitalização mensal por construtoras, além de mencionar o artigo 591 do Código Civil, a Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal e a Lei da Usura (Decreto nº 22.626/1933), que proíbem o anatocismo.

Dívida reduzida

Com base em laudo pericial que comprovou a cobrança indevida, o juiz declarou nula a cláusula contratual que autorizava a capitalização mensal, reconheceu a inexigibilidade dos encargos excessivos e afastou os efeitos do suposto atraso no pagamento das parcelas.

Ao final, o saldo devedor foi reduzido de R$ 393.077,84 para R$ 2.372,94, restabelecendo o valor devido sem os acréscimos abusivos.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo