Justiça de SC ordena transferência de elefanta para santuário após ação civil pública

Data:

Justiça de SC ordena transferência de elefanta para santuário após ação civil pública | Juristas
The Copenhagen Zoological Garden welcomes visitors on a sunny day during spring. Autor-Bigandt

A 2ª Vara da comarca de Penha (SC) julgou procedente ação civil pública e determinou a transferência de uma elefanta mantida em um parque de entretenimento do município para o Santuário de Elefantes Brasil, localizado no Estado de Mato Grosso. A decisão foi tomada após análise judicial sobre o destino mais adequado ao bem-estar do animal.

O caso envolve uma disputa entre instituições de cativeiro e de conservação acerca das condições de vida da elefanta, que vive há décadas sob cuidados da empresa ré. Em fase anterior do processo, a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) havia decidido pela manutenção do animal no parque até o julgamento final, sob o entendimento de que não havia urgência para a transferência e de que seria necessário preservar o status quo para a instrução probatória.

Na ação, a entidade autora, em conjunto com o Santuário de Elefantes Brasil, sustentou que o novo local oferece melhores condições de manejo, maior espaço físico e possibilidade de socialização com outros animais da mesma espécie. Já a empresa responsável pelo parque defendeu a permanência da elefanta no ambiente atual, alegando estrutura adequada, equipe especializada, rotina estável e menor risco de adaptação.

Durante a instrução processual, foram reunidos pareceres técnicos de órgãos como o Conselho Federal de Medicina Veterinária, além de estudos científicos, relatórios ambientais e informações sobre transporte, manejo e condições sanitárias. O conjunto probatório também analisou aspectos comportamentais, capacidade de adaptação e riscos associados a cada uma das alternativas.

Na fundamentação, o magistrado reconheceu os animais como seres sencientes e ressaltou a necessidade de aplicação de critérios científicos de bem-estar animal, considerando dimensões físicas, ambientais, comportamentais e emocionais. O juiz observou que tanto o parque quanto o santuário possuem regularidade formal e estrutura adequada, mas adotam modelos distintos de manejo.

A empresa ré destacou a segurança do ambiente atual, a estabilidade da rotina e os riscos de estresse decorrentes da mudança. Por outro lado, a entidade autora argumentou que a transferência permitiria maior liberdade, convivência com outros elefantes e melhor adequação às necessidades da espécie.

Com base nas provas produzidas, o magistrado concluiu que o Santuário de Elefantes Brasil apresenta melhores condições de adaptação progressiva, maior flexibilidade de manejo e menor risco em caso de insucesso da transferência, enquanto o modelo de zoológico impõe limitações mais rígidas quanto à reversibilidade das condições de vida do animal.

Dessa forma, foi determinada a transferência da elefanta para o santuário no prazo de 60 dias, sob responsabilidade técnica da instituição de destino, com acompanhamento veterinário, realização de exames prévios e monitoramento pós-transferência por oito meses, com relatórios bimestrais.

A decisão também fixou guarda compartilhada transitória até o início do transporte, autorizou o acesso de equipes técnicas ao recinto, determinou contribuição financeira temporária da empresa ré para custeio da adaptação e fez recomendações quanto a protocolos de bem-estar, monitoramento comportamental e biossegurança.

Ao final, o juízo ressaltou que a decisão não decorre de irregularidade de nenhuma das instituições, mas sim de uma análise individualizada do caso concreto, voltada à escolha do ambiente mais adequado ao interesse do animal.

Processo nº 5003166-96.2024.8.24.0089

(Com informações do TJ-SC)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo