Justiça de SP condena Google por anúncios fraudulentos que configuram concorrência desleal

Data:

Redes Sociais
Créditos: scyther5 / iStock

O juiz Fernando Antônio Tasso, da 15ª Vara Cível de São Paulo, decidiu que o Google deverá suspender todos os anúncios que utilizem indevidamente o nome e a marca de uma empresa administradora, por entender que a prática configura concorrência desleal, conforme o artigo 195 da Lei de Propriedade Industrial.

A ação foi movida pela administradora, que relatou que seus clientes, ao pesquisarem o nome da empresa no buscador para pagar boletos, eram direcionados a links falsos promovidos por meio do Google Ads. Os anúncios fraudulentos reproduziam denominação, logotipo e elementos visuais da marca, induzindo consumidores ao erro.

A autora afirmou ter adotado diversas medidas, inclusive criminais, para conter o golpe, e pediu tutela de urgência para impedir que o Google comercializasse novos links com o uso de sua marca como palavra-chave. Em defesa, a big tech alegou ser apenas uma intermediadora, sem obrigação de fiscalizar os anúncios veiculados.

Para o magistrado, a empresa autora comprovou ser titular legítima da marca e demonstrou que terceiros não autorizados estavam se beneficiando do uso indevido. Ele destacou que os links fraudulentos apareciam nas primeiras posições das buscas, o que ampliava o risco de confusão ao público.

Na sentença, o juiz rejeitou o argumento do Google de neutralidade:

“Quando a requerida disponibiliza sua plataforma para que anunciantes adquiram palavras-chave específicas, mediante pagamento, e com o propósito de obter vantagem comercial, ela deixa de ser mera intermediária e passa a participar ativamente da relação comercial entre anunciante e consumidor”, afirmou Tasso.

Diante disso, o Google foi condenado a remover os anúncios falsos e abster-se de comercializar ou promover novos links que utilizem o nome ou o logotipo da administradora.

A empresa foi representada pela advogada Gabriela Melo, do escritório GPF Advogados.

Processo nº 1072006-08.2025.8.26.0100
(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo