Justiça determina acesso de dentista à residência, e polícia apura possível violência patrimonial

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Créditos: Morakot Kawinchan | iStock

A Polícia Civil de São Paulo abriu uma nova investigação para apurar possível violência patrimonial contra a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos, após a troca das fechaduras da residência onde ela vivia com o marido, o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos. A medida teria impedido a mulher de entrar no imóvel e de ter acesso a seus pertences pessoais e profissionais.

Kos está preso preventivamente e é réu em processo no qual responde por acusações de lesão corporal e ameaça contra a esposa. A nova investigação foi instaurada após a Justiça determinar que Giullia tivesse novamente acesso à residência, além da restituição de seu veículo e de outros bens.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o inquérito também apura a possível prática de exercício arbitrário das próprias razões, crime caracterizado pela tentativa de fazer valer um direito por conta própria, sem recorrer aos meios legais disponíveis.

A decisão judicial que determinou o retorno da dentista à residência foi proferida pela juíza Carla Balestreri, do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Na avaliação da magistrada, a retirada da mulher de sua própria casa e a privação de seus bens poderiam caracterizar violência psicológica e patrimonial.

O advogado Fábio Fajolli, que representa Giullia, afirmou que a defesa ainda não sabe quem estava no imóvel no momento em que as fechaduras foram substituídas. A dentista relatou que parentes do empresário teriam participado da retirada dela da residência.

A defesa de Ivo Kos foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação das informações. Em posicionamento anterior, o advogado Davi Gebara afirmou que o processo tramita sob segredo de Justiça e, por isso, não comentaria detalhes do caso. Também criticou a exposição pública de familiares do empresário, alegando que eles não teriam relação com os fatos investigados e não fariam parte do processo.

De acordo com Fajolli, a prioridade da defesa nos últimos dias foi obter uma decisão judicial que garantisse à dentista o acesso novamente à residência, ao veículo e aos demais pertences. Com a determinação favorável, a defesa pretende agora identificar as pessoas envolvidas na retirada da mulher do imóvel.

A nova investigação se soma a outro procedimento policial que apura a conduta de dois seguranças particulares durante as agressões sofridas pela dentista. Os profissionais são investigados pelo 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, por possível omissão diante do episódio ocorrido em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.

O caso teve início após Giullia acusar o marido de agredi-la na madrugada do dia 15 de agosto, depois que o casal retornou de um jantar. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o empresário teria desferido socos contra o rosto e o corpo da mulher durante uma discussão dentro do carro.

As agressões teriam continuado na residência do casal. Conforme a acusação, Giullia teria sido atingida na mão com um taco de beisebol e ameaçada com um dispositivo de choque elétrico.

A dentista conseguiu deixar o imóvel e pedir ajuda aos vizinhos, que acionaram a Polícia Militar. Desde então, a Justiça manteve a prisão preventiva do empresário e determinou medidas de proteção em favor da mulher.

Entre as medidas impostas estão a proibição de contato com Giullia e a obrigação de manter distância mínima de 300 metros dela, de sua residência, de seu local de trabalho e de seus familiares.

(Com informações da Folha de São Paulo por Bárbara Sá)

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