Justiça Federal concede indenização a ex-militar por acidente ocorrido em serviço

Data:

concurso
Créditos: Avosb | iStock

A 2ª Vara Federal de Uruguaiana (RS) condenou a União a pagar indenização por danos extrapatrimoniais a um ex-militar do Exército que sofreu acidente durante o serviço. A decisão, assinada pelo juiz Carlos Alberto Souza, foi publicada em 15/11.

O autor relatou que, em dezembro de 2021, sofreu um acidente que resultou na amputação do dedo anelar da mão direita, exigindo longo tratamento médico e fisioterapêutico. Ele sustentou ter enfrentado dor física, abalo emocional, deformidade estética e redução de sua capacidade laboral, motivo pelo qual também pediu pensão mensal vitalícia.

A União, por sua vez, alegou que o acidente — embora caracterizado como ocorrido em serviço — decorreu de conduta voluntária do próprio militar, que teria segurado a correia de um elevador mesmo após receber treinamento de segurança. Argumentou ainda que o militar permaneceu em atividade até 2024, o que demonstraria plena capacidade para o trabalho, e que não houve qualquer falha atribuível à Administração.

Para o magistrado, entretanto, não ficou configurado comportamento imprudente, negligente ou imperito por parte do autor. Conforme relatório da sindicância, não houve transgressão disciplinar ou descumprimento de normas técnicas, tratando-se de uma fatalidade própria dos riscos da atividade desempenhada. Como o acidente ocorreu em horário de serviço, foi oficialmente enquadrado como “acidente em serviço”.

O juiz concluiu que não há culpa exclusiva ou concorrente da vítima e reconheceu o direito à indenização por danos morais decorrentes do sofrimento físico e psicológico provocado pelo acidente.

A perícia judicial constatou que a amputação parcial do dedo não gerou incapacidade para o trabalho civil, embora tenha causado redução discreta para tarefas que exigem precisão, além de deformidade permanente. Por isso, o pedido de pensão vitalícia foi rejeitado.

A sentença julgou parcialmente procedentes os pedidos e fixou em R$ 15 mil a indenização por danos extrapatrimoniais. A decisão é passível de recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

(Com informações do TRF-4)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo