Justiça mantém condenação de instituição que reprovou aluna sem garantir acesso às aulas

Data:

Justiça mantém condenação de instituição que reprovou aluna sem garantir acesso às aulas | Juristas
Créditos: Billion Photos/Shutterstock.com

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal confirmou a condenação do Grupo IBMEC Educacional S.A. ao pagamento de indenização a uma estudante que foi reprovada após ser impedida de acessar uma disciplina obrigatória do MBA em Controladoria.

De acordo com a autora, os problemas começaram em agosto de 2024, quando enfrentou falhas no curso, incluindo uma reprovação indevida que só foi corrigida após recurso. A situação mais grave envolveu a disciplina Business Game, essencial para a conclusão da pós-graduação. Mesmo após diversos chamados e solicitações, a aluna não conseguiu acessar as aulas, ofertadas exclusivamente ao vivo pelo Teams, sem gravações ou materiais no Ambiente Virtual de Aprendizagem — ao contrário do que ocorria nas demais matérias.

Quando finalmente conseguiu entrar na plataforma, foi informada de que a disciplina já havia sido encerrada e que não havia registros de notas ou participação. Ela tentou solucionar o problema pelo WhatsApp institucional e foi orientada a pedir trancamento para cursar a matéria posteriormente sem custos, mas nenhuma das vias de atendimento resolveu a questão.

O IBMEC alegou que não houve falha na prestação do serviço, sustentando que a disciplina estava disponível e que a dificuldade relatada não seria suficiente para caracterizar dano moral. A instituição também afirmou que o valor da indenização seria elevado.

Para os julgadores, no entanto, ficou comprovado que a aluna apresentou documentos e registros que confirmam a versão inicial, incluindo reclamações sobre reprovação indevida, divergências na grade e repetidas tentativas frustradas de acessar a disciplina. A Turma ressaltou que a relação entre as partes é de consumo e que o dano moral decorre do descaso e da demora injustificada na solução do problema.

Diante disso, o colegiado manteve a indenização fixada em R$ 4 mil por danos morais, valor considerado adequado, e determinou que a instituição ofereça à estudante nova oportunidade de cursar a disciplina de forma remota, assegurando acesso a materiais, gravações e avaliações.

A decisão foi unânime.

Processo no PJe2: 0796036-09.2024.8.07.0016

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo