
Um juiz de São Mateus do Sul (PR) manifestou publicamente sua insatisfação com os salários da magistratura antes de uma sessão do Tribunal do Júri. Em seu último contracheque, o magistrado recebeu R$ 120 mil líquidos, mas afirmou que o valor ainda estaria abaixo do que ganham médicos do SUS.
Segundo ele, a remuneração atual contribui para a desvalorização da carreira no Paraná e no Brasil. “A hora paga para o médico generalista que atende o SUS é superior à hora do magistrado”, afirmou, destacando ainda sua formação acadêmica e a extensa carga de trabalho: “Eu tenho doutorado. Trabalho das sete da manhã às dez da noite. Eu não vou ficar. Eu vou embora.”
O magistrado disse que pretende migrar para a advocacia, mencionando a intenção de abrir escritório e atuar em casos relacionados à Lava Jato. Ele também relacionou a valorização da magistratura ao reconhecimento social do trabalho, especialmente em medidas protetivas. “Se a sociedade não valoriza nosso trabalho, não vou ser eu quem fará esse serviço”, declarou.
Em outro momento, comparou seu salário com outras profissões, afirmando que profissionais qualificados tendem a abandonar a magistratura: “Se a ordem quer juiz mal pago, quem tem mestrado e se garante fora vai sair. Eu quero mais é ficar em casa.”
Corte suspende “penduricalhos”
A manifestação ocorre após decisão do STF, que na última quarta-feira (25) estabeleceu limites para benefícios pagos a magistrados e membros do Ministério Público. Apenas parcelas previstas em lei federal poderão ser pagas, mantendo o teto de R$ 46.366,19, correspondente ao subsídio dos ministros da Corte. A decisão também cria regras para transição, padroniza verbas e aumenta a transparência na divulgação de pagamentos.
A nova sistemática será aplicada a partir da folha de pagamento de maio de 2026.
(Com informações do Migalhas)
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