Ministros entregam a Lula anteprojeto da Lei Geral de Direito Internacional Privado

Data:

projeto anticrime
Créditos: Artisteer | iStock

A comissão encarregada de elaborar o anteprojeto da Lei Geral de Direito Internacional Privado entregou, nesta quinta-feira (4/12), a versão final do texto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O documento, aprovado em outubro pelo Superior Tribunal de Justiça, é resultado de um ano de trabalho do grupo instituído em dezembro de 2024 pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS). A comissão é composta pelos ministros Luis Felipe Salomão, Moura Ribeiro e Paulo Sérgio Domingues, além de especialistas da área.

O objetivo central é reunir em um único diploma normas hoje dispersas — muitas delas ainda baseadas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, de 1942 — e modernizar o marco legal aplicável às relações com elementos internacionais.

A entrega ocorreu durante reunião plenária do CDESS, realizada no Palácio Itamaraty, com a presença do presidente do STJ, Herman Benjamin, e do vice-presidente, Luis Felipe Salomão.

Durante o evento, Salomão destacou as profundas mudanças verificadas ao longo do século 20 e início do século 21, como a evolução dos arranjos contratuais e familiares, inovações tecnológicas e impactos sucessórios. Para o ministro, o anteprojeto segue referência das legislações mais avançadas do mundo e busca fornecer segurança jurídica, sobretudo para fomentar investimentos estrangeiros e disciplinar adequadamente as relações privadas internacionais.

Ele citou exemplos de questões que a nova lei pretende esclarecer: “Quando ocorre um acidente no Brasil envolvendo navio e tripulação estrangeira, com afretamento e carga de países distintos, qual Justiça é competente? Um casal domiciliado no Brasil, mas com bens e filhos no exterior, que pretende se divorciar — qual legislação deve ser aplicada?”

A proposta abrange temas como estatuto pessoal, regime de bens, obrigações alimentares, responsabilidade civil, contratos internacionais, direitos reais, propriedade intelectual, investimentos e valores mobiliários.

Com a entrega ao presidente Lula, o texto seguirá para ajustes finais no Poder Executivo antes de ser remetido ao Congresso Nacional, onde será debatido por parlamentares, juristas e representantes da sociedade civil.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo