
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte investiga uma mulher suspeita de ter provocado o ataque de um cachorro da raça pitbull que resultou na morte de um trabalhador de 62 anos no município de Extremoz, na região metropolitana de Natal. O caso também apura possível motivação racista.
A vítima, Francisco Paulo da Silva, havia sido contratada para realizar serviços de limpeza no quintal do imóvel da investigada, Laís da Cunha Oliveira Galindo, de 23 anos. O ataque ocorreu na última sexta-feira (6), enquanto o trabalhador cortava mato na residência.
Segundo as investigações, apenas a vítima e a contratante estavam no local no momento do ataque.
Prisão temporária
Após receber informações e materiais encaminhados por familiares da suspeita — incluindo mensagens e registros de conversas — a polícia solicitou a prisão da investigada. A medida foi decretada pela Justiça, que determinou prisão temporária pelo prazo de 30 dias.
De acordo com a delegada Anna Beatriz Alves, responsável pelo caso, os elementos reunidos indicam a possibilidade de que o ataque tenha sido provocado intencionalmente. As investigações também analisam eventual motivação de racismo ou xenofobia, uma vez que a suspeita é natural do Rio de Janeiro.
Uma das mensagens analisadas pela polícia teria sido enviada pela investigada a uma irmã no momento em que a vítima chegou ao local, chamando o trabalhador de “verme”. Em depoimento, a mulher teria relacionado a expressão à cor da vítima, o que reforçou a linha investigativa de possível crime motivado por discriminação racial.
Demora no socorro
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi o intervalo entre o ataque e o acionamento do socorro médico.
Conforme a apuração policial, a investigada manteve troca de mensagens com familiares enquanto a vítima ainda estava ferida e aguardando atendimento. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teria sido acionado cerca de 20 minutos após o ataque, período em que Francisco ainda estava agonizando.
Versões apresentadas
Em depoimento inicial, a suspeita afirmou que o ataque teria ocorrido de forma acidental, alegando que o animal teria escapado de um dos cômodos da casa e avançado contra o trabalhador.
Posteriormente, a investigada apresentou versões divergentes, afirmando primeiro que acreditava ter deixado a porta aberta e, depois, que a porta estaria fechada, mas sem tranca.
Ela também declarou à polícia que teria tentado prestar socorro à vítima, arrastando-a para o interior da casa e realizando um torniquete após cortar a calça do trabalhador para conter o sangramento.
Até o momento, a investigada não constituiu defesa particular e deverá ser assistida pela Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte.
Situação do animal
O cão envolvido no ataque foi recolhido por um adestrador e encaminhado para um canil, onde passará por avaliação e processo de readaptação.
Segundo o profissional responsável pelo resgate, vizinhos já relatavam comportamento agressivo do animal, que raramente era retirado da residência para passeios.
A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias do caso e eventual responsabilidade criminal da suspeita.
(Com informações do UOL por Carlos Madeiro)
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