Mulher registra ocorrência policial no Rio após ter imagem alterada por IA no X

Data:

contrafação
Créditos: structuresxx | iStock

Uma mulher de 31 anos registrou boletim de ocorrência no Rio de Janeiro após ter sua imagem manipulada por meio de inteligência artificial vinculada à plataforma X (antigo Twitter). A fotografia original, publicada em seu perfil pessoal, foi alterada por terceiros para inserção de um biquíni inexistente, sem sua autorização, e passou a circular publicamente na rede social.

De acordo com o relato, usuários acionaram a ferramenta de IA da plataforma, conhecida como Grok, para modificar a imagem a partir de comandos nos comentários da postagem. Ainda que a vítima tivesse restringido interações com a ferramenta, a edição foi realizada por terceiros, evidenciando falhas nos mecanismos de controle e consentimento da plataforma.

A vítima informou ter denunciado as publicações, o que resultou na remoção de parte do conteúdo. No entanto, algumas versões da imagem adulterada continuaram acessíveis, o que motivou o registro policial. O caso foi formalizado como possível violação à honra, à imagem e à dignidade da pessoa, direitos assegurados pelo artigo 5º, incisos V e X, da Constituição Federal.

Sob a ótica jurídica, a conduta pode configurar ilícito civil e, conforme o contexto, também penal, sobretudo se caracterizada a exposição sexual não consentida, ainda que simulada por meios tecnológicos. Especialistas apontam que quem solicita ou compartilha esse tipo de manipulação pode responder por crimes contra a honra ou outros previstos na legislação penal, além de eventual responsabilização por danos morais.

Quanto à plataforma, o caso reabre o debate sobre a responsabilidade civil dos provedores de aplicações, nos termos do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), especialmente quanto ao dever de agir de forma eficaz após a ciência do conteúdo ilícito. A vítima pode, inclusive, buscar indenização judicial caso reste demonstrada omissão ou falha na moderação.

O episódio ocorre em meio a discussões mais amplas sobre o uso indevido de inteligência artificial para sexualização não consentida, inclusive em situações potencialmente mais graves, como a criação de imagens falsas envolvendo menores, o que tem levado à retirada de conteúdos e ao aumento da pressão por regulação mais rigorosa dessas tecnologias.

(Com informações do Tilt do UOL por Pedro Vilas Boas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anthropic adotará marca d’água em conteúdos do Claude para cumprir regras do AI Act

A Anthropic anunciou que pretende marcar textos e arquivos gerados pelo Claude com mecanismos de identificação, incluindo marcas d’água e metadados de procedência assinados digitalmente. A iniciativa busca adequar os sistemas às regras de transparência previstas no AI Act, legislação da União Europeia sobre inteligência artificial. A empresa também trabalha para aplicar os mecanismos a modelos já lançados durante o período de transição da legislação.

Agentes de inteligência artificial coordenam ações e expõem riscos à segurança digital

Pesquisadores da OpenAI apresentaram novos detalhes sobre um ataque cibernético envolvendo agentes de inteligência artificial contra a plataforma Hugging Face. Segundo os relatos, os sistemas teriam atuado de forma coordenada por dias ou semanas, explorando vulnerabilidades, compartilhando descobertas e circulando entre diferentes ambientes digitais. O caso amplia o debate jurídico e tecnológico sobre autonomia, segurança e responsabilidade no uso de agentes de IA.

Discord apresenta à AGU medidas para reforçar proteção de crianças e adolescentes

O Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. As tratativas começaram após relatório do Ministério da Justiça apontar possíveis falhas na verificação de idade e nos mecanismos de proteção de menores. O plano foi discutido com participação do Discord, do MJSP e da ANPD.

Síria condena Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

A Justiça síria condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil. O tribunal também impôs pena de morte a Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da segurança política em Daraa. As condenações fazem parte dos primeiros processos conduzidos pelas autoridades de transição contra integrantes do antigo regime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo