OAB anunciará ação direta de inconstitucionalidade contra a PEC dos precatórios após promulgação

Data:

OAB anunciará ação direta de inconstitucionalidade contra a PEC dos precatórios após promulgação | JuristasO Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou que ingressará, de forma imediata, com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n.º 66/2023, aprovada em segundo turno pelo Senado Federal em 2 de setembro. A promulgação está prevista para ocorrer em 9 de setembro, conforme comunicado oficial do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre.

De acordo com o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, a petição inicial contemplará pedido cautelar de suspensão liminar da eficácia da norma, diante da evidente lesão a preceitos fundamentais da Constituição da República.

Inconstitucionalidade Material: Limites ao Pagamento de Precatórios

A PEC 66/2023 introduz limites à quitação de precatórios por parte dos entes municipais, vinculando os pagamentos a percentuais da Receita Corrente Líquida (RCL). Para a OAB, essa sistemática implica grave afronta a dispositivos constitucionais de observância obrigatória, especialmente no que se refere:

  • À coisa julgada (art. 5º, XXXVI, CF);
  • Ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF);
  • Ao princípio da isonomia entre credores;
  • À separação dos poderes (art. 2º, CF).

Segundo a entidade, a emenda desfigura o instituto do precatório, esvazia a autoridade das decisões judiciais transitadas em julgado e institucionaliza o inadimplemento estatal, com possibilidade de postergação indefinida da satisfação do crédito reconhecido judicialmente.

“A OAB vai ao Supremo porque essa PEC viola frontalmente a Constituição Federal, compromete a autoridade do Poder Judiciário e institucionaliza o inadimplemento do Estado com seus próprios cidadãos”, afirmou Simonetti.

Base Doutrinária e Jurisprudencial da ADI

A fundamentação da ação será amparada em parecer técnico da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB, subscrito pelos juristas Egon Bockmann Moreira e Rodrigo Kanayama, e em precedentes firmados pelo STF nas ADIs 4357, 7047 e 7064, que declararam inconstitucionais dispositivos com conteúdo análogo ao da atual proposta.

A OAB sustenta, também, que a PEC 66/2023 reintroduz mecanismo anteriormente rechaçado pelo controle concentrado de constitucionalidade, além de violar cláusulas pétreas e princípios estruturantes do Estado Democrático de Direito, conforme exposto em nota técnica enviada ao Congresso Nacional.

“O calote dos precatórios desrespeita o direito de propriedade e torna inócuas as decisões do Poder Judiciário”, afirmou Marcus Vinícius Furtado Coêlho, presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB.

Apoio Institucional e Pedido de Tutela Provisória

A atuação da OAB é respaldada por manifestações técnicas do Comitê Nacional de Precatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em expediente encaminhado ao presidente do Conselho, ministro Luís Roberto Barroso, qualificaram a PEC como uma “moratória compulsória”, desprovida de horizonte temporal de quitação e incompatível com os princípios da jurisdição efetiva e do acesso igualitário à justiça.

Na ação a ser ajuizada, a Ordem incluirá pedido de tutela provisória de urgência, com o objetivo de suspender cautelarmente a eficácia da emenda constitucional, a fim de evitar lesão grave e de difícil reparação à ordem constitucional e aos direitos dos credores.

“É dever institucional da OAB reagir com firmeza a qualquer tentativa de enfraquecimento das garantias constitucionais e da efetividade das decisões judiciais”, concluiu Simonetti.

(Com informações do Portal JuriNews)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo