PF conclui acareação entre dono do Banco Master e ex-presidente do BRB

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Créditos: beeboys / Shutterstock.com

A Polícia Federal concluiu, na terça-feira (30), a acareação entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). O procedimento foi determinado após a identificação de contradições nos depoimentos prestados pelos dois investigados sobre negociações envolvendo as instituições financeiras.

A acareação durou quase sete horas e foi realizada na sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Os trabalhos foram conduzidos pela delegada da PF Janaína Palazzo e acompanhados por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso, além de representante do Ministério Público.

Os depoimentos começaram por volta das 14h. Vorcaro foi ouvido por cerca de três horas. Em seguida, a partir das 17h30, foi a vez de Paulo Henrique Costa, que prestou esclarecimentos por aproximadamente duas horas. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, também foi ouvido até perto das 21h, mas acabou dispensado da acareação.

O objetivo do procedimento foi esclarecer divergências nos relatos sobre as tratativas para a venda do Banco Master ao BRB, operação na qual Vorcaro e Costa atuaram diretamente.

Investigação

A apuração teve início em 2024, no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o Banco Master não teria recursos suficientes para quitar títulos com vencimento em 2025. As investigações apontam que a instituição adquiriu créditos da empresa Tirreno sem efetuar o pagamento e, posteriormente, repassou esses ativos ao BRB em uma operação estimada em R$ 12 bilhões.

Em novembro, o Banco Central rejeitou a compra do Banco Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição privada, citando, entre outros motivos, a falta de liquidez e a incapacidade de honrar compromissos financeiros. No curso da investigação, Daniel Vorcaro chegou a ser preso, mas teve a prisão substituída por medidas cautelares.

Ailton de Aquino Santos não é alvo da investigação. De acordo com a PF, no exercício de suas atribuições técnicas, ele avaliou alternativas para o Banco Master — como aporte de recursos, mudanças na diretoria, venda da instituição e, por fim, a liquidação. Diante da inviabilidade das opções anteriores, a Diretoria de Fiscalização recomendou a liquidação. Já a venda ao BRB foi barrada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, então comandada por Renato Gomes.

Antes de ser afastado da presidência do BRB, com o avanço das investigações, Paulo Henrique Costa defendia que a aquisição do Banco Master seria uma solução para a crise enfrentada pela instituição privada.

Competência do STF e sigilo

No início deste mês, o ministro Dias Toffoli determinou que o inquérito passasse a tramitar no STF, em razão da citação do deputado federal João Carlos Bacelar, que possui foro por prerrogativa de função. O ministro também elevou o grau de sigilo do processo, que passou do segredo de Justiça para o nível máximo de restrição previsto pelo tribunal.

Os próximos desdobramentos da investigação ainda serão definidos pelo relator.

(Com informações do Migalhas)

 

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