Projeto reestrutura serviço público federal e prevê impacto de R$ 4,2 bilhões em 2026

Data:

estudar
Créditos: MIND_AND_I | iStock

O Projeto de Lei 6170/25, encaminhado pelo Poder Executivo, promove uma ampla reestruturação do serviço público federal, com concessão de vantagens, mudanças na estrutura das carreiras e reajustes de remuneração de cargos, funções e gratificações a partir de 1º de abril de 2026. A proposta alcança cerca de 200 mil servidores, entre ativos e aposentados, de áreas como Educação, Cultura, Receita Federal, Auditoria Fiscal do Trabalho, Saúde, Planejamento e setores administrativos.

De acordo com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, o impacto orçamentário estimado é de R$ 4,2 bilhões em 2026, valor já previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual. O custo deve subir para R$ 5,6 bilhões em 2027 e 2028.

Segundo a ministra Esther Dweck, as medidas buscam valorizar e modernizar carreiras essenciais ao funcionamento do Estado, além de contribuir para a atração e retenção de talentos, reforçar políticas públicas em áreas estratégicas e cumprir compromissos firmados em mesas de negociação, garantindo estabilidade institucional.

Nova carreira transversal

Entre as principais mudanças está a criação da carreira transversal de analista técnico executivo, de nível superior, no âmbito do Poder Executivo federal. A nova carreira unifica cerca de 70 cargos distintos e terá atuação voltada ao suporte das áreas administrativas, com gestão centralizada no Ministério da Gestão e Inovação.

Serão 6.082 cargos efetivos, formados a partir da transformação de cargos vagos ou atualmente ocupados, como os de administrador, arquivista, bibliotecário, contador e técnico em comunicação social. Para a ministra, a iniciativa representa uma medida estruturante de governança, ao integrar capacidades técnicas, ampliar a flexibilidade e aumentar a eficiência na gestão da força de trabalho.

Transformação e criação de cargos

No total, o projeto transforma 11.724 cargos efetivos em 9.653 novos cargos. Além do analista técnico executivo, estão previstas mudanças em carreiras ligadas à Cultura, ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e à área de regulação e fiscalização sob vigilância sanitária.

A proposta também cria novos cargos no Ministério da Educação e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo:

  • 3,8 mil cargos de professor do magistério superior;
  • 2,8 mil cargos de analista em educação;
  • 2 mil cargos de técnico em educação;
  • 200 cargos de especialista em Regulação e Vigilância Sanitária;
  • 25 cargos de técnico em Regulação e Vigilância Sanitária na Anvisa.

Atuação em áreas estratégicas

O texto amplia o rol de carreiras com direito à indenização por exercício em localidades estratégicas, especialmente em regiões de fronteira com dificuldades de fixação de pessoal. Passam a ter acesso ao benefício servidores do Serviço Florestal Brasileiro, Ibama, ICMBio, Anvisa e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Regimes de trabalho

O projeto institui novos regimes de plantão e de turnos alternados para áreas estratégicas e serviços que demandam funcionamento contínuo. No regime de plantão, as jornadas poderão ultrapassar oito horas, inclusive em fins de semana e feriados, respeitada a carga mensal do cargo. Já nos turnos alternados, a jornada será de seis horas diárias e 30 horas semanais, aplicável a serviços que exijam escalas prolongadas ou atendimento noturno.

Gestão e contratações

Entre as medidas administrativas, o texto autoriza a realização de perícias médicas por telemedicina e análise documental. Também flexibiliza as regras de contratação temporária, permitindo a recontratação antes de 24 meses do término do vínculo anterior, desde que o novo processo seletivo seja conduzido por órgão federal distinto.

Tramitação

A proposta tramita em regime de urgência e deve trancar a pauta do Plenário a partir de 1º de março.

(Com informações da Agência Câmara de Notícias por Francisco Brandão)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Facebook é condenado por não bloquear conta usada em golpes com identidade de advogado

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o Facebook a bloquear uma conta do WhatsApp utilizada em golpes praticados com a identidade de um advogado. A magistrada entendeu que a plataforma falhou na prestação do serviço ao ignorar diversas denúncias sobre a fraude, permitindo a continuidade dos ilícitos. Além do bloqueio da conta, foi fixada indenização de R$ 7.100 por danos morais.

Justiça condena Drogasil em R$ 10 milhões por vincular descontos ao fornecimento de CPF

A Justiça do Maranhão condenou a Drogasil ao pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos por exigir CPF ou outros dados pessoais como condição para concessão de descontos e promoções. A decisão, válida em todo o país, determina que os preços promocionais sejam oferecidos a todos os consumidores, independentemente de cadastro, e exige maior transparência na coleta e utilização de dados pessoais.

Justiça de Minas identifica tentativas de manipular IA com comandos ocultos em processos judiciais

Magistrados do TJMG identificaram tentativas de manipular sistemas de inteligência artificial por meio da técnica conhecida como "prompt injection", com a inserção de comandos ocultos em petições e recursos. As condutas buscavam influenciar decisões automatizadas em favor das partes. Diante das irregularidades, foram aplicadas multas e determinadas investigações pela OAB-MG e pela Polícia Civil.

Anatel prorroga até 2028 medidas contra chamadas abusivas de telemarketing

A Anatel prorrogou até outubro de 2028 as regras que permitem bloquear empresas responsáveis por chamadas abusivas de telemarketing. A medida atinge companhias que realizam grande volume de ligações curtas e silenciosas, prática utilizada para identificar números ativos. Segundo a agência, cerca de 247 bilhões de chamadas indesejadas já foram evitadas nos últimos quatro anos.