Reforma do Código Civil divide especialistas no Senado sobre posse e direito de propriedade

Data:

Imóvel alugado
Imagem ilustrativa – Créditos: Michał Chodyra / iStock

Especialistas em direito manifestaram preocupação, nesta quinta-feira (7), com possíveis impactos da proposta de reforma do Código Civil sobre o direito de propriedade e a ocupação de imóveis. O tema foi debatido durante a segunda audiência pública da comissão temporária do Senado responsável por analisar o Projeto de Lei 4/2025, apresentado pelo senador Rodrigo Pacheco.

A proposta foi elaborada entre 2023 e 2024 por uma comissão de juristas e encaminhada ao Senado por Pacheco. Durante a audiência, a senadora Tereza Cristina defendeu uma análise cuidadosa do texto, ressaltando a necessidade de amplo debate antes da aprovação.

— Precisamos entregar à sociedade um trabalho consistente. Não podemos tratar um tema dessa dimensão com pressa — afirmou a parlamentar.

Entre as críticas apresentadas, o professor da Fundação Getulio Vargas, Paulo Doron Rehder de Araujo, avaliou que a proposta abre margem para interpretações conflitantes. Segundo ele, ao mesmo tempo em que amplia mecanismos de proteção possessória para proprietários e responsáveis por imóveis, o texto também pode favorecer ocupações ao reconhecer a boa-fé dos ocupantes até o encerramento de eventual disputa judicial.

Para o especialista, essa combinação pode aumentar tensões relacionadas à posse de terras e imóveis.

O advogado Ricardo Alexandre da Silva sugeriu alterações para permitir que pessoas responsáveis pela administração ou guarda do imóvel possam ingressar diretamente na Justiça em casos urgentes de invasão, especialmente quando o proprietário estiver ausente ou não tiver conhecimento imediato da ocupação.

Por outro lado, o desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Marco Aurélio Bezerra de Melo, defendeu que o conceito de posse de boa-fé já está suficientemente consolidado no ordenamento jurídico. Segundo ele, a proposta pode contribuir para maior segurança jurídica e uniformidade nas decisões judiciais.

A representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Juliana Cordeiro de Faria, também demonstrou preocupação com possíveis brechas que, segundo ela, poderiam facilitar estratégias de ocupação prolongada para futura regularização da posse. Na avaliação da especialista, a lentidão do Judiciário pode acabar favorecendo ocupantes em detrimento dos proprietários.

A audiência contou ainda com a participação de integrantes da comissão de juristas responsável pela proposta, além de professores, magistrados, representantes da advocacia e especialistas em direito civil e empresarial.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo