Réu preso pode usar suas próprias roupas no tribunal do júri

Data:

Réu preso pode usar suas próprias roupas no tribunal do júri
Créditos: marchia | iStoxk

A 5ª Turma do STJ, respeitando princípios de não culpabilidade, plenitude da defesa e presunção de inocência, entendeu que o réu pode se apresentar para o julgamento na sessão do júri com suas próprias roupas, ao invés de utilizar o uniforme do presídio. 

O acórdão do TJMG, assim como o juiz de primeira instância, negou o pedido da defesa alegando falta de previsão legal. Os ministros do STJ, porém, entenderam que a conduta se caracteriza como constrangimento ilegal. Para o relator, “A par das algemas, tem-se nos uniformes prisionais outro símbolo da massa encarcerada brasileira, sendo, assim, plausível a preocupação da defesa com as possíveis preconcepções que a imagem do réu, com as vestes do presídio, possa causar ao ânimo dos jurados leigos”.

A defesa, ao recorrer ao STJ, disse que as vestimentas do presídio são associadas à violência, construindo uma imagem negativa do réu perante os jurados. O relator, ministro Ribeiro Dantas, pontuou o sistema de íntima convicção utilizado pelo conselho de sentença, no uso de suas prerrogativas constitucionais, para valorar as provas. O julgamento ocorre conforme convencimento pessoal do jurado, não havendo necessidade de motivá-lo ou justificá-lo.

Dantas trouxe lições doutrinárias sobre o juízo do jurado em relação ao réu, que é influenciado por diversos aspectos. Pontuou o artigo 5º, inciso XXXVIII, que traz a plenitude de defesa como característica do júri, garantindo ao acusado uma atuação defensiva plena e efetiva. 

Assim, entendeu: “perpassando todo diálogo constitucional, tratando-se de pedidos do interesse do réu, máxime aqueles que visam assegurar o direito à imparcialidade dos jurados, dentro do contexto inerente ao conselho de sentença, as decisões do juiz presidente do júri devem ser dotadas de maior preciosidade, em especial as que, em tese, possam tolher qualquer estratégia defensiva, abarcando a tática de apresentação do acusado aos jurados”.

Por fim, o ministro pontuou as Regras de Mandela, aprovado pelo Primeiro Congresso da ONU sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes, que trata sobre a permissão de o preso usar suas próprias roupas ou outra que seja discreta ao se afastar do presídio. 

E concluiu: “Nesse sentido, é possível concluir que, havendo razoabilidade mínima no pleito da defesa, como se vislumbra do pedido pela apresentação do réu em plenário com roupas civis, resta eivada de inidoneidade a decisão que genericamente o indefere”.

Processo: RMS 60575

(Com informações do Superior Tribunal de Justiça)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo