Senado aprova MP para coibir fraudes no INSS

Data:

Texto exige cadastro de trabalhador rural e restringe auxílio-reclusão

O Plenário do Senado Federal aprovou nesta segunda-feira (3/6) uma Medida Provisória que busca coibir fraudes nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A MP iria caducar na madrugada desta terça-feira (4/6).

Liminar afasta Renan Calheiros da Presidência do Senado Federal
Créditos: R.M. Nunes / Shutterstock.com

Aprovada por meio do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 11/19, a MP 871/2019 segue agora para sanção presidencial.

Entre as mudanças, a medida cria um programa de revisão de benefícios previdenciários, exige um cadastro do trabalhador rural e restringe o pagamento de auxílio-reclusão a penas de regime fechado.

Pente-fino

Segundo o texto, o INSS ganha acesso aos dados da Receita Federal, do Sistema Único de Saúde (SUS), do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e de outros bancos de informações. Essas informações serão cruzadas para a análise de concessão, revisão ou manutenção de benefícios. Fica proibido o compartilhamento destes dados com entidades privadas.

O pente-fino tem previsão de duração até 2020, prorrogável até 2022. Médicos peritos do INSS receberão um adicional por processo analisado além do horário de trabalho, com benefícios pagos em valor superior ao teto do Instituto.

O texto também passa a exigir prova de vida anual. Para isso, o beneficiário deve comparecer a uma agência do INSS e realizar a biometria. Em caso de indício de irregularidade, ele terá até 60 dias para apresentar a defesa. Pessoas com deficiência entre moderada e grave poderão receber o funcionário do órgão em suas casas.

Trabalhador rural

Com as mudanças, o pequeno trabalhador rural tem até 2023 para comprovar o tempo de exercício da atividade. A MP exige que a comprovação seja feita por meio de autodeclaração ratificada pelo Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater) de cada estado. Meios de prova como declarações de sindicatos de trabalhadores rurais ou colônia de pescadores não serão válidos e, a partir de 2023, somente a manutenção de cadastro junto ao Ministério da Agricultura será admitido.

Presos

A MP também restringe o pagamento de auxílio-reclusão a dependentes de presos em regime fechado. A justificativa é que são esses os detentos impedidos de trabalhar. Também fica proibida a acumulação de benefícios do INSS, como pensões por morte ou salário-maternidade. A medida também suspende o pagamento de auxílio-doença aos presos em regime fechado, mas prevê a restituição de valores não-recebidos caso a prisão seja considerada ilegal.

Clique aqui para ler a Medida Provisória

Notícia produzida com informações da Assessoria de Imprensa do Senado Federal.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Caio Proença
Caio Proença
Jornalista pela Cásper Líbero. Trabalhou em O Diário do Pará, R7.com, Estadão/AE e Portal Brasil.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo