STF analisará constitucionalidade de lei do Pará que disciplina uso de banheiros em instituições religiosas

Data:

Empresa que oferecia banheiro e refeitório em condições precárias é condenada por dano moral
Créditos: PhuShutter / Shutterstock.com

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a validade da Lei nº 11.660/2026, do Estado do Pará, a qual autoriza instituições religiosas, escolas confessionais e entidades por elas mantidas a estabelecer regras para o uso de banheiros com base exclusivamente no sexo biológico, sem considerar a identidade de gênero.

As ações, registradas sob os números ADI 7996 e ADI 7997, foram distribuídas ao ministro Luiz Fux, que será o relator responsável pela condução dos processos.

A ADI 7996 foi proposta pela Aliança Nacional LGBTI+, enquanto a ADI 7997 foi ajuizada pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

Nas ações, as entidades sustentam que a legislação estadual afronta diversos princípios constitucionais, entre eles a dignidade da pessoa humana, a igualdade, a vedação à discriminação, a proteção à identidade de gênero e a laicidade do Estado.

As autoras também argumentam que a norma restringe direitos fundamentais das pessoas trans ao adotar o sexo biológico como único critério para a utilização de banheiros nas instituições abrangidas pela lei. Segundo as entidades, a medida compromete o reconhecimento jurídico da identidade de gênero, limita o livre desenvolvimento da personalidade e viola a autonomia individual.

Outro fundamento apresentado nas ADIs é a alegação de que o Estado do Pará teria invadido competência legislativa privativa da União ao disciplinar matérias relacionadas aos direitos da personalidade e ao direito civil, em desacordo com a repartição de competências estabelecida pela Constituição Federal.

Com a distribuição das ações ao ministro Luiz Fux, o STF deverá analisar se a norma estadual é compatível com a Constituição, especialmente à luz dos direitos fundamentais, da proteção contra discriminação e das competências legislativas dos entes federativos.

(Com informações do STF por Edilene Cordeiro)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anthropic adotará marca d’água em conteúdos do Claude para cumprir regras do AI Act

A Anthropic anunciou que pretende marcar textos e arquivos gerados pelo Claude com mecanismos de identificação, incluindo marcas d’água e metadados de procedência assinados digitalmente. A iniciativa busca adequar os sistemas às regras de transparência previstas no AI Act, legislação da União Europeia sobre inteligência artificial. A empresa também trabalha para aplicar os mecanismos a modelos já lançados durante o período de transição da legislação.

Agentes de inteligência artificial coordenam ações e expõem riscos à segurança digital

Pesquisadores da OpenAI apresentaram novos detalhes sobre um ataque cibernético envolvendo agentes de inteligência artificial contra a plataforma Hugging Face. Segundo os relatos, os sistemas teriam atuado de forma coordenada por dias ou semanas, explorando vulnerabilidades, compartilhando descobertas e circulando entre diferentes ambientes digitais. O caso amplia o debate jurídico e tecnológico sobre autonomia, segurança e responsabilidade no uso de agentes de IA.

Discord apresenta à AGU medidas para reforçar proteção de crianças e adolescentes

O Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. As tratativas começaram após relatório do Ministério da Justiça apontar possíveis falhas na verificação de idade e nos mecanismos de proteção de menores. O plano foi discutido com participação do Discord, do MJSP e da ANPD.

Síria condena Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

A Justiça síria condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil. O tribunal também impôs pena de morte a Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da segurança política em Daraa. As condenações fazem parte dos primeiros processos conduzidos pelas autoridades de transição contra integrantes do antigo regime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo