STF confirma regra que limita número de candidatos por partido nas eleições proporcionais

Data:

Responsável pela obtenção de dados do Facebook repassados à Cambridge Analytica diz que eles não poderiam influenciar eleições

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, manter a validade da regra que estabelece o limite de candidatos que os partidos políticos podem registrar nas eleições proporcionais. A decisão foi proferida no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 7017, concluído em sessão virtual encerrada em 24 de fevereiro.

Com o entendimento da Corte, permanece em vigor a regra prevista na Lei nº 14.211/2021, que alterou a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), segundo a qual cada partido pode registrar número de candidatos equivalente a até 100% das vagas em disputa, acrescido de um nome. O Supremo também manteve os vetos presidenciais que haviam suprimido exceções que permitiriam ampliar esse limite para até 150% em determinadas hipóteses.

A ação foi proposta pelo partido Cidadania, que alegou irregularidades no processo legislativo que resultou na edição da Lei nº 14.211/2021. Segundo a legenda, após a aprovação do projeto pelo Congresso, a Presidência do Senado Federal teria promovido ajustes na redação do texto antes do envio à sanção presidencial, o que teria possibilitado o veto às exceções inicialmente previstas.

Relator da ação, o ministro Nunes Marques entendeu que não houve alteração substancial no conteúdo aprovado pelo Legislativo. De acordo com o magistrado, as mudanças realizadas tiveram caráter meramente técnico, destinadas à correção de erro de formatação normativa.

O relator destacou que, conforme estabelece a Lei Complementar nº 95/1998 — que disciplina a elaboração e a redação das leis — as exceções à regra geral devem ser previstas em parágrafos e não em incisos. Assim, a adaptação promovida pelo Senado teria atendido à técnica legislativa, sem modificar o conteúdo material da norma.

Na avaliação do ministro, a correção efetuada integra os procedimentos internos do Poder Legislativo, cabendo ao STF intervir apenas em situações de violação direta à Constituição. No caso analisado, concluiu que não houve afronta ao devido processo legislativo, tampouco aos princípios democrático e da separação dos Poderes.

“A judicialização da política, nesse caso, seria uma tentativa de reverter no Tribunal uma derrota sofrida na arena democrática”, afirmou o relator em seu voto.

O ministro também observou que, caso houvesse efetiva divergência em relação ao conteúdo final da lei, o próprio Congresso poderia ter restaurado os dispositivos vetados mediante a derrubada do veto presidencial.

A decisão foi unânime entre os ministros da Corte.

(Com informações do STF por Jorge Macedo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo