STF recebe novas ações contra lei de combate ao crime organizado por supostas violações a direitos fundamentais

Data:

horas in itinere
Créditos: Andrii Yalanskyi / iStock

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu mais duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) que questionam dispositivos do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, instituído pela Lei 15.358/2026. As ADIs 7956 e 7957 foram distribuídas, por prevenção, ao ministro Alexandre de Moraes, que já é relator de outros processos relacionados ao tema.

Na ADI 7956, a Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) pede a concessão de medida liminar para suspender trechos da lei. A entidade questiona, principalmente, restrições impostas a presos provisórios, como a suspensão de direitos políticos, a possibilidade de monitoramento das comunicações entre advogado e cliente e o endurecimento das regras de execução penal, incluindo limitações à progressão de regime e ao livramento condicional. Para a associação, essas mudanças configuram um endurecimento desproporcional da política criminal e comprometem garantias individuais.

Já na ADI 7957, a União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito (UNAA) sustenta que a nova legislação pode intensificar violações de direitos fundamentais no sistema prisional brasileiro. A entidade aponta riscos de agravamento da superlotação carcerária e da já reconhecida crise estrutural das unidades prisionais.

Entre os pontos contestados estão a previsão de prisão preventiva automática em determinados casos, a equiparação entre presos provisórios e condenados para fins de cumprimento de pena e a retirada da competência do Tribunal do Júri para julgar homicídios dolosos praticados por integrantes de organizações criminosas classificadas como ultraviolentas.

As novas ações ampliam o debate no STF sobre os limites do endurecimento penal e sua compatibilidade com garantias constitucionais no enfrentamento ao crime organizado.

(Com informações do STF por Cezar Camilo e Virginia Pardal)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo