STJ consolida teses sobre provas digitais e reforça ilegalidade de acesso a celular sem ordem judicial

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busca e apreensão
Créditos: apichon_tee | iStock

A Secretaria de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) publicou a edição 279 do informativo Jurisprudência em Teses, dedicada ao tema “Direito Penal e Processual Penal em Ambiente Digital”. A nova edição reúne entendimentos consolidados da Corte sobre a obtenção e validade de provas digitais, com impacto direto na atuação policial e na proteção de direitos fundamentais.

Um dos principais pontos reafirmados pelo tribunal é a ilicitude do acesso direto, por autoridades policiais, a dados armazenados em celulares apreendidos em flagrante, inclusive mensagens de aplicativos, sem prévia autorização judicial. Segundo o entendimento consolidado, tal prática viola garantias constitucionais, como o direito à privacidade e ao sigilo de comunicações, sendo admitida apenas quando houver consentimento livre e voluntário do titular do aparelho.

A Corte também estabeleceu que decisões judiciais que autorizam a quebra de sigilo de dados armazenados não precisam, obrigatoriamente, fixar um recorte temporal específico para a diligência. O STJ entende que a ausência dessa limitação, por si só, não invalida a medida, desde que respeitados os parâmetros legais e constitucionais.

Os entendimentos reforçam a necessidade de equilíbrio entre a investigação criminal e a preservação de direitos individuais, especialmente em um cenário de crescente digitalização das relações sociais e do uso intensivo de dispositivos eletrônicos como meio de prova.

Criado em 2014, o Jurisprudência em Teses é um instrumento que sistematiza a posição do STJ sobre temas relevantes, a partir da análise de precedentes recentes. Cada edição apresenta enunciados claros e objetivos, acompanhados de decisões que fundamentam as teses, contribuindo para a uniformização da jurisprudência e maior segurança jurídica.

A publicação é amplamente utilizada por magistrados, advogados e membros do Ministério Público como referência na interpretação e aplicação do direito, especialmente em áreas em constante evolução, como o ambiente digital.

(Com informações do STJ)

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