STJ decide que imóvel de alto padrão é impenhorável quando serve como única residência da família

Data:

Imóvel alugado
Imagem ilustrativa – Créditos: Michał Chodyra / iStock

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, de forma unânime, que um imóvel de luxo ou de alto padrão não pode ser penhorado quando se tratar do único bem do devedor e servir como residência familiar. O entendimento reafirma a proteção prevista no artigo 1º da Lei nº 8.009/1990, conhecida como Lei do Bem de Família.

A decisão reformou acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que havia permitido a penhora de um apartamento localizado na Barra da Tijuca, um dos bairros mais valorizados da capital fluminense.

Entendimento do TJ-RJ

No julgamento anterior, o TJ-RJ sustentou que a legislação visa preservar a dignidade da pessoa humana, mas não garantir que patrimônios de alto valor permaneçam imunes a penhora. Para o tribunal, a finalidade da Lei 8.009/1990 não seria proteger imóveis de padrão elevado, mas assegurar que o devedor continue vivendo em condições dignas.

Com base nesse argumento e considerando o alto valor do imóvel, o TJ-RJ autorizou a penhora, mas determinou que fosse resguardada quantia suficiente para que o devedor adquirisse outro imóvel em área menos valorizada.

STJ rejeita distinção baseada no valor do imóvel

A Terceira Turma do STJ afastou esse entendimento. Para o relator do recurso especial, ministro Moura Ribeiro, a lei não estabelece qualquer distinção quanto ao preço, à localização ou ao padrão do imóvel para fins de impenhorabilidade.

Segundo o ministro, criar um critério subjetivo baseado no valor de mercado do bem violaria o espírito da Lei do Bem de Família e geraria insegurança jurídica. Ele também ressaltou que, se a intenção fosse permitir exceções, o legislador teria previsto limites ou parâmetros específicos.

Moura Ribeiro ainda considerou que a solução adotada pelo TJ-RJ — penhorar o imóvel e reservar parte do valor para a compra de outro — contraria o texto legal e se afasta da jurisprudência consolidada do STJ sobre o tema.

Com a decisão, o imóvel permanece protegido pela regra da impenhorabilidade.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo