STJ: mau estado de conservação do carro não justifica busca veicular ou pessoal

Data:

ford
Créditos: SIphotography | iStock

A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que o mau estado de conservação de um veículo, por si só, não configura fundada suspeita capaz de justificar busca veicular ou pessoal. Segundo os ministros, uma abordagem policial baseada apenas nessa circunstância tem caráter exploratório, sem relação com qualquer comportamento suspeito ou indício de crime por parte do motorista.

Com esse entendimento, o colegiado manteve decisão individual do ministro Ribeiro Dantas, que concedeu habeas corpus de ofício para trancar a ação penal contra um homem, reconhecendo a ilegalidade da busca e, portanto, a ilicitude das provas obtidas.

O caso

O réu foi preso durante uma abordagem policial enquanto dirigia um carro em mau estado, com uma das portas amassadas. Na ocasião, ele tentou se passar por guarda municipal e portava uma arma de fogo furtada.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) havia rejeitado pedido anterior de habeas corpus, entendendo que a abordagem não foi arbitrária, pois o veículo apresentava condição precária de conservação.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também defendeu a legalidade da ação policial, afirmando que a inspeção tinha como objetivo verificar a regularidade do veículo, e não realizar uma revista exploratória (“fishing expedition”).

Fundamentos da decisão

Ao confirmar a ilegalidade da busca, o ministro Ribeiro Dantas destacou que o artigo 240, § 2º, do Código de Processo Penal (CPP) exige fundada suspeita para a realização de qualquer medida invasiva. Assim, não se pode admitir abordagens baseadas apenas em impressões subjetivas ou em denúncias anônimas não verificadas.

O relator ressaltou que, conforme a jurisprudência do STJ, a busca deve estar diretamente ligada à finalidade legal de obtenção de provas, e não servir como pretexto para revistas arbitrárias de pessoas ou veículos sem indícios concretos de crime.

“Estar a bordo de um veículo com a porta amassada não constitui, por si só, fundada suspeita. São necessários elementos objetivos que justifiquem a medida invasiva. Sendo ilegal a atuação policial sem justo motivo, deve ser reconhecida a nulidade do ato”, afirmou o ministro.

Com a decisão, o STJ reforça o entendimento de que abordagens policiais baseadas apenas em aparência ou condições do veículo violam garantias constitucionais e não podem legitimar provas obtidas de forma ilícita.

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo