STJ vai investigar tentativas de fraude com inteligência artificial em processos judiciais

Data:

inss
Créditos: M-A-U | iStock

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificou, nas últimas semanas, tentativas de uso da técnica conhecida como prompt injection em petições protocoladas na corte. A prática consiste na inserção de comandos ocultos em documentos aparentemente comuns para manipular sistemas de inteligência artificial (IA), induzindo-os a executar instruções indevidas.

Embora o método já fosse conhecido entre especialistas em tecnologia, o tema ganhou repercussão no meio jurídico após relatos de possíveis fraudes processuais envolvendo IA no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8), divulgados no início de maio.

De acordo com o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, o tribunal vai apurar todas as tentativas de fraude detectadas. Segundo ele, o sistema de IA generativa da corte, chamado STJ Logos, já foi desenvolvido com mecanismos capazes de neutralizar esse tipo de artifício.

“O STJ Logos foi criado com comandos específicos para impedir esse tipo de manipulação. Estamos identificando todas as tentativas de prompt injection para possibilitar a aplicação de sanções processuais e a responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos”, afirmou o ministro.

Sistema possui três camadas de proteção

Mesmo quando recebe documentos contendo comandos ocultos, o STJ Logos conta com camadas de segurança que impedem a execução das instruções maliciosas.

O modelo de proteção do sistema funciona em três etapas complementares. Na primeira, ocorre um pré-processamento rigoroso dos documentos, com separação entre dados e instruções, além do bloqueio preventivo de comandos suspeitos antes que cheguem ao modelo de IA.

Na segunda camada, o sistema delimita o contexto de atuação da inteligência artificial, evitando que comandos externos interfiram nas diretrizes centrais da plataforma.

Já na terceira etapa, um filtro de conformidade revisa as respostas produzidas pela IA para assegurar que estejam alinhadas às políticas de segurança e integridade do tribunal.

Segundo o STJ, a proteção dos processos judiciais é prioridade desde o início do desenvolvimento da ferramenta, lançada oficialmente em fevereiro de 2025. As equipes técnicas seguem aprimorando continuamente os mecanismos de defesa do sistema.

Medidas administrativas e investigação policial

Além das barreiras tecnológicas, a Presidência do STJ determinou que todas as tentativas de uso de prompt injection sejam registradas nos autos dos processos. A medida permitirá que ministros e ministras da corte possam aplicar sanções processuais aos responsáveis.

O tribunal também anunciou a instauração de inquérito policial e de procedimento administrativo para investigar os casos. Advogados e escritórios eventualmente envolvidos poderão ser ouvidos, com possibilidade de responsabilização criminal e disciplinar.

O que é prompt injection?

O prompt injection é uma técnica usada para tentar manipular modelos de inteligência artificial, especialmente os chamados grandes modelos de linguagem (LLMs). Nesse tipo de ataque, comandos ocultos são inseridos em documentos, como petições e recursos, sem que sejam percebidos visualmente por leitores humanos.

Como sistemas de IA interpretam textos a partir de comandos e contexto, essas instruções maliciosas podem tentar induzir a ferramenta a ignorar regras originais de análise ou favorecer determinada parte em um processo.

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo