TJ-MG mantém indenização por morte após acidente com cavalo em rodovia

Data:

animal na rodovia
animal na rodovia

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) manteve a responsabilidade de uma concessionária de rodovia pela morte de um motorista que sofreu um acidente após colidir com um cavalo solto na pista. A 13ª Câmara Cível confirmou a condenação da empresa ao pagamento de R$ 90 mil por danos morais à viúva da vítima, além de pensão mensal.

O acidente ocorreu em maio de 2023, durante a noite, em um trecho da rodovia com pouca iluminação. Segundo o processo, o motorista dirigia sua caminhonete quando foi surpreendido pelo animal na pista e não conseguiu realizar uma manobra para evitar a colisão.

A viúva ajuizou ação e obteve decisão favorável em primeira instância, que determinou o pagamento de R$ 90 mil por danos morais e de uma pensão mensal equivalente a dois terços da renda da vítima.

A concessionária recorreu e alegou que não havia falhado na prestação do serviço. A empresa afirmou que realizava inspeções periódicas na rodovia e que uma viatura havia passado pelo local pouco antes do acidente, sem identificar a presença do animal. Para a companhia, a entrada repentina do cavalo na pista seria responsabilidade de seu proprietário ou caracterizaria fato imprevisível capaz de afastar sua responsabilidade.

O relator do caso, desembargador Newton Teixeira Carvalho, entretanto, manteve a condenação. Segundo o magistrado, a relação entre a concessionária e o motorista é de consumo, o que implica responsabilidade objetiva da empresa pelos danos decorrentes da prestação do serviço.

Para o relator, a presença de animais de grande porte em rodovias localizadas em áreas rurais constitui risco previsível da atividade. Assim, a realização de rondas periódicas não seria suficiente para afastar a responsabilidade da concessionária, que tem o dever de garantir condições adequadas de segurança na via.

O magistrado também considerou que o acidente ocorreu à noite, em trecho sem iluminação adequada, e que o motorista foi surpreendido pelo animal sem tempo suficiente para realizar uma manobra evasiva. Na avaliação do tribunal, não ficou comprovada a existência de fato inevitável capaz de romper o nexo causal entre a falha na segurança da rodovia e o acidente.

A viúva também havia pedido o aumento da indenização e o pagamento da pensão em parcela única, além da alteração do período de recebimento com base na expectativa média de vida. Esses pedidos, contudo, não foram acolhidos. O tribunal manteve o valor de R$ 90 mil por danos morais e o pagamento mensal da pensão, apenas ajustando seu término para a data em que a vítima completaria 73 anos.

Clique aqui para ler a decisão.

Processo 1.0000.23.276657-6/003

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo