TJ-SC mantém condenação por xenofobia contra nordestinos em grupo de mensagens

Data:

Fórmula 1
Créditos: Mariusz Szczygiel/Shutterstock.com

A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve a condenação de um homem por incitação à discriminação contra nordestinos, praticada por meio de mensagens enviadas em rede social no município de Orleans.

O colegiado confirmou a pena de dois anos de reclusão — posteriormente substituída por prestação de serviços à comunidade — e, ao analisar recurso do Ministério Público, fixou indenização de R$ 10 mil por danos morais coletivos.

Conforme os autos, em novembro de 2022, o réu compartilhou mensagens em um grupo de aplicativo denominado “Resistência Civil”, com conteúdo que incentivava práticas discriminatórias. Entre as orientações, estavam o não atendimento de nordestinos em estabelecimentos comerciais, a criação de listas de boicote a empresários e o desestímulo a viagens à região Nordeste.

A defesa alegou nulidade da sentença, sustentando violação ao princípio da correlação, sob o argumento de que a decisão teria se baseado em fundamentos distintos dos apresentados na denúncia. No mérito, pleiteou a absolvição, afirmando inexistir dolo específico, uma vez que as mensagens teriam sido proferidas em contexto de debate político, sem intenção deliberada de discriminar.

O relator do caso, no entanto, rejeitou a preliminar ao entender que a acusação delimitou adequadamente os fatos, permitindo o pleno exercício do direito de defesa. No mérito, destacou que manifestações que hostilizam grupos com base em sua origem regional afrontam princípios fundamentais como a dignidade da pessoa humana e a igualdade.

Em seu voto, o magistrado ressaltou que a conduta reproduz lógica de exclusão social ao eleger um grupo específico como alvo de restrições e rejeição coletiva, evidenciando a intenção discriminatória. O Tribunal também afastou a tese de que o conteúdo teria caráter meramente irônico.

Quanto ao pedido do Ministério Público, a câmara reconheceu que, em casos de xenofobia, o dano moral coletivo é presumido, por atingir direitos difusos e a dignidade de toda uma coletividade. Assim, determinou o pagamento de R$ 10 mil, valor que será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).

A decisão foi unânime entre os desembargadores e consta no Informativo da Jurisprudência Catarinense, edição nº 161.

(Com informações do TJ-SC)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo