TJ-SP afasta cobrança de IPTU de herdeiro de imóvel ocupado por famílias de baixa renda

Data:

Imóvel alugado
Imagem ilustrativa – Créditos: Michał Chodyra / iStock

A 18ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão que declarou inexigível a cobrança de IPTU de um proprietário cujo imóvel, localizado na capital paulista, foi ocupado por famílias de baixa renda. O acórdão anulou os lançamentos tributários referentes aos anos de 2019 a 2023 e determinou que a prefeitura restitua os valores pagos, com correção monetária e juros.

A corte reconheceu que a invasão e a consequente perda da posse retiram o próprio fato gerador do imposto, previsto no artigo 32 do Código Tributário Nacional — a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel.

Cobrança indevida

O autor herdou o imóvel já ocupado por terceiros e, mesmo sem poder utilizá-lo, continuou pagando o IPTU até dezembro de 2023. O município recorreu da sentença de primeiro grau, alegando que a titularidade registral seria suficiente para manter a obrigação tributária, conforme o artigo 34 do CTN.

O relator, desembargador Wanderley José Federighi, rejeitou o argumento da prefeitura. Ele destacou que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado no sentido de que o proprietário sem posse não pode ser responsabilizado pelo pagamento do imposto.

Proprietário sem posse

Para o magistrado, caberia ao município direcionar a cobrança aos ocupantes, que exercem o uso do imóvel com animus domini — intenção de agir como proprietários. O CTN, lembrou ele, prevê o possuidor como contribuinte do IPTU.

Segundo Federighi, exigir o pagamento do tributo de quem não usufrui do imóvel viola a própria lógica do imposto. “O direito de propriedade sem posse, uso ou fruição, incapaz de gerar qualquer tipo de renda ao seu titular, deixa de ser, na essência, um direito de propriedade. Torna-se uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade legal negada pelos fatos”, afirmou.

O acórdão pode ser consultado na íntegra no site do Tribunal de Justiça de São Paulo.

(Com informações do Juri News)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo