TJ-SP mantém decisão que absolve professores de acusação de abandono de estudante

Data:

Funcionários de parque de diversões são condenados por morte de jovem
Créditos: icedmocha / Shutterstock.com

A 15ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve sentença proferida pela Vara Criminal de Itatiba que absolveu cinco acusados da imputação de abandono de incapaz com resultado morte, envolvendo uma estudante de 17 anos. O colegiado ressaltou que a decisão não alcança eventual apuração de homicídio, a qual segue em inquérito policial autônomo.

Conforme os autos, a adolescente participava de excursão escolar em propriedade rural, sob a supervisão de professores da instituição. Durante atividade coletiva, a jovem se afastou do grupo para ir ao banheiro, desacompanhada, não sendo mais localizada. O corpo foi encontrado no dia seguinte nas imediações do local.

No julgamento do recurso, o relator, desembargador Christiano Jorge Santos, consignou que o conjunto probatório não demonstrou que os réus tenham, de forma consciente e voluntária, abandonado a vítima em situação de risco. Destacou, ainda, a ausência de comprovação do nexo de causalidade entre a conduta dos acusados e o resultado morte, especialmente diante da inexistência de esclarecimento acerca das circunstâncias e da causa efetiva do óbito.

O magistrado enfatizou que o delito de abandono de incapaz exige dolo específico antecedente, consistente na intenção deliberada de abandonar pessoa sob cuidado, guarda, vigilância ou autoridade. No caso concreto, entendeu não ser possível imputar tal elemento subjetivo aos acusados, uma vez que a própria vítima se afastou sem comunicação prévia, não havendo sequer ciência imediata por parte dos responsáveis.

Por fim, o relator destacou a autonomia entre as esferas civil e penal, nos termos do art. 935 do Código Civil, esclarecendo que eventual condenação da instituição de ensino ao pagamento de indenização por danos morais não implica, por si só, responsabilização criminal dos envolvidos.

O julgamento contou com a participação das desembargadoras Ely Amioka e Conceição Vendeiro, sendo a decisão unânime.

(Com informações do TJ-SP)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo