TJDFT condena plataforma de apostas por não bloquear conta de usuário com ludopatia

Data:

TJDFT condena plataforma de apostas por não bloquear conta de usuário com ludopatia | Juristas
Bets / Apostas esportivas – Joédson Alves/ Agência Brasil
(Política)

A 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação da plataforma de apostas Bullsbet ao pagamento de R$ 181 mil a um usuário diagnosticado com ludopatia, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais. O colegiado concluiu que a empresa falhou na prestação do serviço ao deixar de atender ao pedido de bloqueio da conta formulado pelo consumidor, em desacordo com as normas que regulamentam o setor de apostas esportivas.

De acordo com o processo, o autor da ação sofre de ludopatia, transtorno caracterizado pelo comportamento compulsivo relacionado aos jogos de azar. Em razão do agravamento de seu quadro clínico, ele solicitou extrajudicialmente o bloqueio de sua conta na plataforma como forma de interromper as apostas. O pedido, entretanto, não foi atendido pela empresa.

Os autos revelam que, sem conseguir impedir o acesso à plataforma, o consumidor continuou realizando apostas e acumulou elevado endividamento. Segundo o processo, ele contraiu empréstimos que somaram R$ 375 mil na tentativa de recuperar as perdas financeiras, situação que comprometeu significativamente o patrimônio familiar e levou seu pai a vender um imóvel para contribuir com a quitação das dívidas.

Ao analisar o recurso, o relator, desembargador Roberto Freitas, destacou que a empresa descumpriu seu dever de adotar medidas de proteção ao consumidor vulnerável, especialmente após ter sido informada da condição de saúde do usuário e do pedido de autoexclusão.

Segundo o magistrado, é amplamente reconhecido o potencial viciante das apostas eletrônicas e seus impactos negativos sobre a saúde mental, as finanças e as relações familiares. Para o colegiado, ao deixar de bloquear a conta do consumidor, a plataforma contribuiu para o agravamento do quadro clínico e para a continuidade do comportamento compulsivo.

O relator também ressaltou que a conduta da empresa intensificou a ansiedade, o sofrimento emocional e os prejuízos financeiros do autor, caracterizando falha na prestação do serviço e justificando tanto a restituição dos valores quanto a indenização por danos morais.

A decisão ainda observou que a Bullsbet, autorizada pelo Ministério da Fazenda a operar no Brasil desde 2025, está sujeita às regras federais aplicáveis às empresas de apostas de quota fixa. Entre as exigências regulatórias estão a disponibilização de mecanismos eficazes de autoexclusão, bloqueio de acesso e limitação de gastos, destinados à proteção de apostadores em situação de vulnerabilidade.

Diante desse contexto, a 3ª Turma Cível concluiu, por unanimidade, que a empresa descumpriu as obrigações impostas pela regulamentação do setor e manteve integralmente a sentença que determinou a restituição de R$ 181 mil ao consumidor, bem como o pagamento de R$ 4 mil por danos morais.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Livro em homenagem ao Ministro Teodoro Silva Santos será lançado no STJ em 15 de setembro

O lançamento do livro coletivo em homenagem ao Ministro Teodoro Silva Santos será realizado no dia 15 de setembro de 2026, das 18h30 às 21h, no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. A obra reúne artigos de integrantes da comunidade jurídica em reconhecimento à trajetória e à atuação do Ministro.

Obra analisa desafios jurídicos, gestão e transformação das sociedades de advogados no Brasil

O livro Sociedade de Advogados e a Advocacia Brasileira reúne análises sobre a estrutura, o funcionamento e os desafios contemporâneos das sociedades de advogados, abordando temas como gestão, ética, inovação e transformação digital na advocacia.

Barriga de aluguel recorre à Suprema Corte dos EUA por guarda de bebê

Uma mulher que atuou como gestante de substituição recorreu à Suprema Corte dos EUA para disputar a guarda de um bebê nascido com grave cardiopatia. Ela afirma temer que os pais reconhecidos pela Justiça da Califórnia não autorizem tratamentos capazes de preservar a vida da criança.

Justiça rejeita autorização para exposição comercial contínua de crianças nas redes sociais da mãe

A Justiça de Itajaí rejeitou pedido para autorizar a exposição contínua de duas crianças nas redes sociais da mãe e em campanhas publicitárias. O juízo entendeu que o poder familiar não permite a utilização genérica da imagem dos filhos para fins econômicos e que cada participação deve ser analisada individualmente.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo