TJDFT mantém prisão preventiva de acusado por agressão que resultou em morte de adolescente

Data:

concurso
Créditos: Andrey Popov | iStock

A 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios denegou ordem de habeas corpus impetrada em favor de Pedro Arthur Turra Basso, mantendo a prisão preventiva decretada pelo Juízo da 2ª Vara Criminal de Taguatinga.

Fatos apurados

Conforme os autos, o paciente é acusado de ter agredido um adolescente de 16 anos em via pública, conduta registrada em vídeo e amplamente divulgada. Durante a agressão, a vítima foi arremessada contra veículo estacionado, sofrendo impacto significativo na região craniana. Após permanecer hospitalizada por vários dias, veio a óbito em 7 de fevereiro de 2026.

A superveniência do falecimento ensejou o agravamento da imputação penal, com reflexos diretos na análise dos pressupostos da custódia cautelar.

Argumentos da defesa

No writ, a defesa sustentou ausência de contemporaneidade e de fatos novos aptos a justificar a manutenção da prisão preventiva, alegando que a decisão estaria lastreada em fundamentos genéricos, na repercussão midiática do caso e em elementos informativos ainda não submetidos ao contraditório judicial, como gravações veiculadas em redes sociais.

Argumentou, ainda, que o acusado possui residência fixa, é primário, colaborou com as investigações e que inexistem elementos concretos a indicar risco à instrução criminal ou à ordem pública. Requereu, subsidiariamente, a substituição da prisão por medidas cautelares diversas, nos termos do art. 319 do Código de Processo Penal. Também alegou risco à integridade física do custodiado no ambiente prisional.

Fundamentação do acórdão

O relator concluiu que os fundamentos apresentados não afastam a presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva previstos no art. 312 do CPP. Destacou que o óbito da vítima constitui fato novo relevante, apto a reforçar a gravidade concreta da conduta imputada.

Ressaltou, ademais, a existência de indícios de tentativa de interferência na instrução criminal, com suposta orientação a testemunhas para uniformização de versões, circunstância que evidencia risco à colheita da prova.

Segundo consignado no voto condutor, “os argumentos, todavia, não se sustentam quando confrontados com o amplo e detalhado conjunto probatório reunido nos autos até o presente momento”, acrescentando que a liberdade do paciente, nas circunstâncias delineadas, poderia representar estímulo à continuidade de práticas que comprometam a ordem pública e a aplicação da lei penal.

Assim, a Turma concluiu que a prisão preventiva encontra amparo em fundamentação concreta, idônea e proporcional, especialmente diante da gravidade efetiva do fato e dos elementos que indicam periculosidade do agente, mantendo-se hígida a decisão de primeiro grau.

O processo tramita sob o nº 0702994-80.2026.8.07.0000.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça libera acesso a documentos médicos sobre tratamento e morte de Tancredo Neves

O TRF1 autorizou um dos filhos de Tancredo Neves a obter prontuários e relatórios médicos sobre o tratamento e a morte do ex-presidente. A decisão considerou o interesse familiar e a relevância histórica do caso.

Projeto de lei propõe política de prevenção ao golpe do falso advogado no Distrito Federal

O Projeto de Lei nº 2.517/2026 propõe a criação de uma política distrital para prevenir golpes do falso advogado e fraudes eletrônicas relacionadas a serviços jurídicos. A iniciativa prevê ações de conscientização, proteção de dados, verificação de identidade profissional e cooperação entre instituições públicas e órgãos do sistema de Justiça.

Justiça intima defesa de Jairinho a apresentar razões de apelação no caso Henry Borel

A defesa de Jairinho deverá apresentar os argumentos da apelação contra a condenação a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel. Após essa etapa, Ministério Público e demais partes poderão se manifestar.

Tribunal Penal Internacional (TPI) acusa governo Trump de tentar obstruir a Justiça internacional

A presidente do Tribunal Penal Internacional, Tomoko Akane, pediu aos 193 países-membros da ONU que adotem medidas em defesa da Corte diante das sanções impostas pelos Estados Unidos. A magistrada reafirmou o compromisso do tribunal com a independência, a imparcialidade e a responsabilização por crimes internacionais graves.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo