TJMG concede liberdade à mãe de menina vítima de estupro para recorrer da condenação

Data:

joão de deus
CréditoS: Rupert Weidemann | IsTOCK

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a soltura da mãe de uma menina de 12 anos vítima de estupro em Indianópolis, no interior de Minas Gerais. A decisão permite que ela recorra em liberdade da condenação por omissão no caso.

A mulher estava custodiada na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga e foi liberada após expedição de alvará de soltura. A medida foi determinada pela 9ª Câmara Criminal do tribunal durante sessão realizada por videoconferência.

Condenação mantida

No julgamento, o colegiado confirmou a condenação aplicada em primeira instância tanto à mãe da vítima quanto ao homem acusado do crime. Ambos haviam sido sentenciados a nove anos e quatro meses de reclusão em regime fechado.

Apesar da manutenção da condenação, os desembargadores decidiram conceder à mãe da vítima o direito de aguardar em liberdade o julgamento de eventuais recursos. O homem condenado pelo estupro, por sua vez, permanecerá preso.

A decisão foi proferida por unanimidade, sob relatoria do juiz convocado José Xavier Magalhães Brandão, que atuou no lugar do desembargador Magid Nauef Láuar. Também participaram do julgamento os desembargadores Walner Barbosa Milward de Azevedo e Kárin Emmerich.

O processo tramita sob segredo de Justiça, em observância ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), razão pela qual detalhes sobre a identidade dos envolvidos e as circunstâncias do crime não foram divulgados.

Reviravolta processual

O caso ganhou repercussão após decisão anterior da 9ª Câmara Criminal que havia absolvido o acusado. Na ocasião, a maioria do colegiado entendeu que haveria um vínculo afetivo entre o homem e a adolescente, afastando a aplicação automática do crime de estupro de vulnerável.

O entendimento foi posteriormente questionado pelo Ministério Público de Minas Gerais, que interpôs recurso contra a absolvição.

Após a manifestação do Ministério Público, o desembargador Magid Láuar reviu a decisão e restabeleceu a sentença de primeira instância que havia condenado o réu e a mãe da vítima. Com isso, foram expedidos mandados de prisão em fevereiro.

Afastamento de magistrado

Poucos dias depois, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar do desembargador Magid Láuar de suas funções.

Segundo o órgão de controle do Judiciário, há indícios da prática de crimes contra a dignidade sexual supostamente cometidos pelo magistrado quando ainda atuava como juiz em comarcas do estado.

A investigação administrativa segue em andamento.

(Com informações do UOL)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo