TJSP fixa piso mínimo de pensão alimentícia para evitar fraudes e garantir plano de saúde adequado

Data:

ex-cônjuges
Créditos: Andrey Popov | iStock

A 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou, em ação revisional de alimentos, a inclusão de um piso mínimo de pensão mesmo quando houver vínculo empregatício formal. A decisão também obrigou o genitor a fornecer plano de saúde com cobertura no município onde a criança reside, atualmente São Paulo.

O caso tratava de pensão fixada em 2020, no auge da pandemia, no valor de 30% do salário-mínimo, além de convênio médico. Na ação revisional, a mãe alegou aumento das necessidades da criança, mudança no domicílio e alteração na capacidade financeira do pai. Ressaltou ainda que o plano de saúde mantido pelo genitor, com cobertura apenas em Minas Gerais, havia perdido utilidade prática.

A sentença de primeira instância majorou a pensão para 33% do salário líquido ou, na ausência de emprego formal, 1,5 salário-mínimo, além da manutenção do convênio. No entanto, a advogada Élida Visgueira Vieira, membro do IBDFAM e representante da autora, apontou duas omissões essenciais: a falta de um valor mínimo obrigatório mesmo em caso de vínculo formal e a ausência de determinação expressa para que o plano de saúde tivesse abrangência em São Paulo.

Segundo a advogada, a lacuna permitiu que o pai firmasse contrato de trabalho irregular com remuneração muito baixa, reduzindo artificialmente a base de cálculo da pensão. Como resultado, os novos alimentos ficaram inferiores aos anteriormente fixados. O recurso buscou não o aumento nominal da pensão, mas a inclusão expressa de um piso mínimo e a garantia de cobertura adequada do plano médico.

Ao julgar a apelação, o TJSP constatou que o genitor apresentava movimentações bancárias expressivas e incompatíveis com a renda alegada. O colegiado deu provimento integral ao recurso.

Medida fortalece a efetividade da obrigação alimentar

Para Élida Visgueira Vieira, a estipulação de um piso mínimo é essencial para impedir manobras que esvaziem a finalidade da pensão. A decisão, afirma, reforça a efetividade da obrigação alimentar e previne simulações contratuais que possam prejudicar o sustento da criança.

Ela destaca ainda que a obrigação alimentar — incluindo a prestação in natura, como o plano de saúde — precisa garantir utilidade real. “Não basta fixar porcentagem. Muitas vezes é necessário estabelecer também um valor mínimo, critérios de adequação do plano de saúde e mecanismos de prevenção a fraudes”, conclui.

(Com informações do IBDFAM)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo