Transposição de servidores sem concurso público é inconstitucional

Data:

Estátua da Justiça representando decisão sobre transposição de servidores sem concurso público
Créditos: Zolnierek / Shutterstock.com

Transposição de servidores sem concurso público e a Constituição

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) declarou inconstitucionais dispositivos de uma lei municipal que permitiam a transposição de agentes de trânsito para a carreira de guarda municipal sem a realização de concurso público. A decisão foi proferida pela 4ª Câmara de Direito Público e envolveu o município de Palhoça (SC).

Entenda o caso

A controvérsia surgiu após uma lei complementar municipal permitir a transferência de agentes de trânsito para a carreira de guarda municipal, em decorrência da reorganização administrativa. A mudança previa a participação dos servidores em um curso de formação, sem a realização de um novo concurso público.

Ao analisar o caso, o tribunal entendeu que as duas carreiras possuem atribuições e características distintas. Por isso, a participação em um curso de formação não seria suficiente para legitimar o ingresso em outra carreira pública.

Concurso público é requisito constitucional

A decisão reforçou a aplicação do artigo 37, inciso II, da Constituição Federal, que estabelece o concurso público como regra para ingresso em cargos e empregos públicos.

O entendimento também está relacionado à Súmula Vinculante 43 do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual é inconstitucional a investidura, sem concurso público específico, em cargo que não integra a carreira na qual o servidor foi anteriormente investido.

O tribunal destacou que o aproveitamento de servidores em outra carreira depende do atendimento conjunto de critérios como compatibilidade das atribuições, escolaridade exigida, condições de ingresso e remuneração.

Decisão e efeitos para os servidores

Com o julgamento, foram declarados inconstitucionais os dispositivos da legislação municipal que permitiam a transposição, e o reenquadramento dos servidores foi anulado.

A decisão também estabeleceu medidas para regularizar a situação funcional dos trabalhadores e preservar os valores recebidos de boa-fé durante o período em que exerceram as novas funções.

O caso reforça a importância da observância das regras constitucionais de acesso aos cargos públicos, especialmente quando a Administração promove alterações na estrutura de suas carreiras.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Juíza extingue ação e multa advogado por indícios de litigância predatória

A 1ª Vara da Comarca de Mococa (SP) extinguiu ação contra banco e condenou o advogado ao pagamento das custas processuais e de multa de 5% do valor atualizado da causa. A decisão considerou indícios de litigância predatória, incluindo ações semelhantes, procuração genérica e falhas na documentação. O caso também foi encaminhado à OAB/SP.

Credor trabalhista pode propor ação de insolvência civil, decide STJ

O STJ reconheceu que o credor trabalhista pode propor ação declaratória de insolvência civil, desde que renuncie à preferência de seu crédito. A Corte também decidiu que não é necessário desistir previamente da execução individual, que deverá ficar suspensa até a conclusão da primeira fase da ação de insolvência.

Quem era o juiz do TJ-SP encontrado morto carbonizado; Polícia Civil investiga o caso

O juiz Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, titular da 2ª Vara de Mococa, foi encontrado morto e carbonizado na zona rural de São João da Boa Vista (SP). A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. Instituições do Judiciário, a OAB local e a Prefeitura de Mococa manifestaram pesar pelo falecimento.

Morre aos 90 anos Nelson Martins, pai do ministro do STF Cristiano Zanin

Nelson Martins, advogado e pai do ministro do STF Cristiano Zanin, morreu aos 90 anos, em Piracicaba (SP). O STF, o STJ e o Conselho da Justiça Federal divulgaram manifestações de pesar e solidariedade à família.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo