Tribunais serão consultados sobre minuta que institui a Certidão Nacional Criminal

Data:

Justiça Militar - Crimes de Tortura
Créditos: Michał Chodyra / iStock

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciará, no prazo de 10 dias, a convocação dos tribunais brasileiros para que encaminhem contribuições à minuta de ato normativo que visa instituir a Certidão Nacional Criminal (CNC). A proposta foi apresentada durante a 12ª Sessão Ordinária de 2025, realizada na terça-feira (16/9).

O texto normativo busca atualizar a Resolução CNJ nº 121/2010, que trata da disponibilização eletrônica de dados judiciais e da emissão de certidões. A principal inovação é a criação de um documento nacional unificado de antecedentes criminais, eliminando a necessidade de emissão de certidões individualizadas pelos 91 tribunais do país.

O relator da proposta, conselheiro João Paulo Schoucair, destacou que a iniciativa é fruto de um trabalho conjunto com o grupo de trabalho voltado à promoção da paz nos ambientes esportivos, coordenado pelo ministro Guilherme Caputo Bastos.

“A Polícia Federal já disponibiliza o sistema que será integrado à base de dados do CNJ, permitindo a emissão da certidão nacional de forma gratuita. O modelo inclui regras de negócio pactuadas entre o CNJ e o Ministério da Justiça e Segurança Pública”, explicou Schoucair.

Segundo o conselheiro, a proposta será submetida à consulta pública restrita aos tribunais, permitindo a análise técnica e a apresentação de sugestões para aprimoramento do texto.

Consulta às instituições e articulação interinstitucional

Durante a sessão, Schoucair apresentou questão de ordem informando que a minuta será encaminhada para conhecimento prévio e manifestação das seguintes instituições:

  • Polícia Federal (PF)
  • Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)
  • Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre)
  • Conselho da Justiça Federal (CJF)
  • Superior Tribunal Militar (STM)
  • Tribunais de Justiça Militar
  • Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

O relator propôs ainda a formalização de ato normativo conjunto entre o CNJ, o MJSP e a PF, estabelecendo o Sistema Nacional de Informações Criminais (Sinic), gerido pela Polícia Federal, como base oficial para a consolidação e disponibilização dos registros de antecedentes criminais em âmbito nacional.

“Diante do exposto, proponho a aprovação da presente questão de ordem, convertendo-se o feito em diligência para aprimoramento da minuta”, concluiu Schoucair.

(Com informações do CNJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo