TRT-MG mantém indenização de R$ 15 mil por assédio misógino contra gerente de crédito em BH

Data:

trabalho
Créditos: fizkes | iStock

A Justiça do Trabalho confirmou a condenação de uma empresa de tecnologia da área da saúde, com sede em Belo Horizonte, ao pagamento de R$ 15 mil por assédio moral relacionado à discriminação de gênero. A decisão reconheceu que uma gerente de crédito e cobrança foi submetida a cobranças excessivas, ofensas e comentários misóginos por parte de seus superiores, além de tratamento desigual em relação a colegas homens.

Testemunhas relataram que atitudes discriminatórias eram frequentes no ambiente de trabalho. Segundo elas, após denunciar o assédio aos canais internos da empresa, a trabalhadora sofreu retaliações. Um depoimento destacou que os supervisores consideravam as mulheres “mimizentas” e que não poderiam receber críticas sem se sentir ofendidas. Outra testemunha mencionou que o gerente-geral fazia comentários depreciativos sobre mulheres, afirmando que “não rendem muito”, “fazem fofoca” ou “são mais lentas” para fechar negócios, sendo tratadas de forma diferenciada para não se sentirem ofendidas.

A 44ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte havia dado provimento à ação da empregada, reconhecendo o assédio moral. A empresa recorreu, negando as denúncias e pedindo a absolvição.

No julgamento da Terceira Turma do TRT-MG, realizado em 24 de setembro de 2025, os desembargadores mantiveram, por unanimidade, a condenação da empresa. O relator, desembargador Marcelo Moura Ferreira, destacou que a trabalhadora apresentou relatos consistentes sobre cobranças excessivas, ofensas e desrespeito, e que a prova oral deve ser valorizada, conforme o princípio do livre convencimento motivado.

O relator ressaltou ainda que, mesmo após a substituição do gerente em agosto de 2023, as práticas ofensivas e misóginas persistiram e até se intensificaram, evidenciando que o desrespeito às mulheres estava institucionalizado na empresa.

Diante das evidências, a indenização por danos morais de R$ 15 mil foi mantida, considerada proporcional à gravidade do assédio, à conduta da empresa e ao caráter pedagógico da reparação. O pedido de aumento da indenização feito pela trabalhadora e a tentativa de redução por parte da empregadora foram rejeitados. O processo foi encaminhado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para exame do recurso de revista.

(Com informações do TRT-3)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo